Os podcast mais difíceis de ouvir

[AVISO DE TEMA SENSÍVEL: esse post vai abordar saúde mental de uma forma muito direta. Se esse assunto for perturbador para você, não leia]
 
Demorei semanas para escrever esse post. Achei que seria muito interessante falar sobre dois episódios de podcasts muito bons, mas muito difíceis que ouvi há um tempo. Não percebi que seria complicado traduzir em palavras o que senti. Esse post não será perfeito, mas será o melhor que eu posso fazer sobre esse tema. Vamos lá.
 
A verdade é que eu também demorei dias para conseguir ouvir os episódios inteiros. Eu parava os áudios para respirar fundo. Chorar foi inevitável. Quis escrever sobre eles porque não é todo dia que a gente se depara com uma produção jornalística que cause essas reações.
 

Uma conversa difícil

O podcast With Friends Like These é sobre “conversas difíceis”, esse é o slogan do programa. Na maior parte das vezes, os tópicos são políticos, mas há algumas semanas, eles resolveram falar sobre suicídio. 
 
Claro que o tema por si só já indica uma matéria densa. Mas o diferente nesse caso é que não houve nenhuma entrevista. Ana Marie Cox, a apresentadora do podcast, e um convidado, outro jornalista que mantém um programa sobre depressão, contaram suas próprias experiências. Ele falou sobre o suicídio do irmão e como ele se sente culpado pelo o que aconteceu. Cox falou sobre sobre como ela mesma tentou suicídio. 
 
Pausei muitas vezes para respirar antes de ouvir toda a história. Eu sofri, mas achei muito admirável o esforço e a honestidade dos jornalistas em abrirem suas próprias vidas para abordar um tema tão difícil. É possível sentir como foi duro para eles fazer o
programa. 
 
[Não custa lembrar que, se você tiver passando por um momento difícil e precisar de ajuda, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida]

Quebrando estereótipos

Eu nunca tinha parado uma matéria no meio para chorar. Foi isso que eu fiz durante o episódio do podcast Science VS sobre aborto. 
 
Novamente, não é um tema fácil, mas foi o formato que deu mais impacto à reportagem. O podcast tem como objetivo investigar se o conhecimento popular sobre um assunto realmente faz sentido científico. Neste episódio, o programa investigou, entre outras coisas, se afirmações sobre “o tipo de mulher” que recorre a um aborto são de fato reais. A conclusão é que não. Nenhuma das críticas mais comuns corresponde à realidade. 
 
Para mostrar isso, a reportagem foi a uma clínica de aborto no interior dos Estados Unidos entrevistar médicos e pacientes. O depoimento das mulheres são emocionantes. Mas foram os dados foi o que me fizeram chorar. É difícil não sentir nada quando a gente compara o que realmente acontece na vida dessas pessoas com todo tipo de comentário e estereótipo, sempre muito cruéis, que se faz delas. Essa injustiça me deixou muito triste.
 


 
Mais sobre o With Friends Like These: Trocando Ideia Com Quem Pensa Diferente

Mais sobre o Science VS: Comida Orgânica Não Serve Para Nada

 

 


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Doe seu aniversário para a Revista AzMina!

E se ao invés de ganhar presente você apoiar o jornalismo feminista?

Ei, você! Você aí que curte o trabalho d’AzMina! Você que tem seu trabalho, sua vida, sua família, mas que a cada esquina encontra aquele pensamento: “eu preciso fazer algo contra o machismo”. Você só precisa fazer aniversário. Acreditar em algo custa, e fazer jornalismo com base no que a gente acredita custa também. Jornalismo independente depende de quem acredita esse projeto.

E se ao invés de ganhar mais uma blusinha que vai ficar esquecida no fundo do armário ou um pacote de meias da tia, você convidar seus amigos a converter seus presentes em doações para a Revista AzMina?

O dinheiro que a gente receber pelas suas velinhas vai ajudar a tirar do papel 12 grandes séries investigativas cujos temas vão da exploração sexual nas rodovias mineiras à realidade das mulheres nas Forças Armadas (o projeto completo está aqui). Interessou? Olha só como funciona:

Seu aniversário vai virar um crowdfunding – uma espécie de vaquinha virtual – na plataforma Juntos, nossa parceira nesse projeto, e vai ter uma página só dele! Todo o valor arrecadado vai ser diretamente direcionado para as bolsas de reportagens e, pra te agradecer pelo apoio, temos um presente especial pra você: um kit especial AzMina que inclui um livro “Você já é feminista”, um porta-lata d’AzMina e uma palestra de introdução ao feminismo com nossa equipe – além de espaço vitalício em nossos corações!

Mas a gente vai precisar de um esforcinho seu, porque ao contrário do que muita gente pensa, crowdfunding não é escrever um projeto, botá-lo no ar e esperar sentado. Crowdfunding é vestir a camisa de algo em que você acredita e contar pra todo mundo que você encontrar. Quanto mais você fizer os olhos das pessoas brilharem, maior será a arrecadação. A boa notícia é que é seu aniversário e todo mundo que gosta de você tá a fim de te fazer um agrado. É a fome agarradinha com a vontade de comer!

Animou? Aqui tem um exemplo pra te inspirar. Mas você é livre pra deixar o seu com a sua cara, ok? Olha o passo a passo:

  • No site da Juntos, faça o login ou crie um cadastro;
  • Entre em “enviar projetos”, lá no topo e preencha todos os campos;
  • Você vai precisar criar um título (seja direto!) e um texto curto em que explica porque esse projeto para o qual você está pedindo doações é importante. Você conhece seu público e suas motivações! Manda bala e arrasa!
  • Sugerimos uma meta mínima de R$ 800, mas o céu é o limite! É legal pensar em um número que seja desafiador, mas o tamanho e o poder aquisitivo das suas redes também são importantes aqui. Aniversariantes que baterem a meta vão ganhar o kit com livro, porta-lata e palestra (envio pra qualquer ponto do Brasil, palestra em São Paulo); Duração: 10 dias. Categoria: Direitos Humanos;
  • Clique em “salvar e continuar” e, na página seguinte, em “salvar”;
  • Agora você precisa inserir a URL do seu vídeo. Sim, vídeo! Pode ser gravado no celular mesmo. É que dá muito mais vontade de doar quando a gente vê a carinha do nosso amigo ou amiga, né? Por isso que o vídeo é tão importante!
  • Você também vai precisar inserir algumas imagens. No campo “parceiros do projeto”, não se esqueça de incluir o nosso logo, que você pode baixar aqui.
  • Terminou? Clique lá no topo em “enviar projeto para análise”. Na sequência copie e cole o link do seu projeto e mande para a Juntos no email mariacarolina@juntos.com.vc, pra que eles possam fazer a vinculação do seu crowdfunding com a arrecadação d’AzMina. Importante: o título do seu email deve ser “aniversário com AzMina”, e junto com o link você deve mandar a data de lançamento do seu crowdfunding (10 dias antes do seu aniversário ou da data em que pretende comemorar).

Pronto! Agora é só esperar o lançamento do seu crowdfunding pra espalhar para os amigos! Aproveite que você está com a faca e o queijo na mão e estimule a turma a tirar o escorpião do bolso!

A generosidade dos nossos doadores possibilita que a gente continue produzindo conteúdo aberto e gratuito para que pessoas que não podem pagar por informação também tenham acesso a um jornalismo de qualidade. AzMina agradece de coração e te deseja um feliz aniversário!

 

Esse texto é de autoria da Revista AzMina (www.azmina.com.br). A publicação permite a reprodução de seus conteúdos.

 


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A forma como lemos notícias não é saudável

Quando Trump ganhou as eleições, eu fiquei chocada. Claro que todo mundo também ficou chateado com a vitória dele. Mas eu fiquei cho-ca-da. Eu tinha certeza que ele ia perder. Quando vazou a conversa dele no ônibus falando sobre assédio contra mulheres eu fiquei certa de era o fim da trajetória dele. Comecei a dizer coisas como "ele vai perder feio e os negócios deles irão à falência". Nem preciso dizer que eu estava muito errada.
 
No livro, A Dieta da Informação, Clay Johnson defende uma ideia que explica “tragédias” como esta e outras mais. Para ele, o problema está na forma como consumimos informação. Temos muitos dados disponíveis, tudo está a uns poucos cliques. Mas não sabemos o que fazer com essa comodidade. A comparação de Johnson é com a alimentação.

Comemos demais, mas ingerimos produtos de baixa qualidade e não sabemos gerenciar nossa nutrição. Para Johnson, fazemos o mesmo com as notícias. Estamos nos entupindo de “reportagens” de má qualidade e de “fabricação” duvidosa.

Johnson resume assim os principais problemas na forma com que nos informamos:

  • Informações demais

  • Informações de má qualidade

  • Opiniões “disfarçadas” de fatos

  • Informações sobre apenas “um lado” 
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A bolha em que vivemos e o viés de confirmação

Eu não errei sobre Trump sozinha. Todos ao meu redor pensávamos o mesmo e nós alimentamos um ao outro com essa ideia. Isso fez com que nosso sentimento parecesse ser a verdade mais óbvia.
 
Acontece bastante, não é? Temos certeza sobre algo porque todo mundo está falando sobre isso. A época de eleições é sempre um bom exemplo.
 
Esse fenômeno se chama “bolha de filtro”. É uma área de influência no qual as pessoas consomem os mesmos tipos de informação, tem hábitos parecidos, etc, e têm pouco contato com outros grupos que agem diferente. Isso você já sabia, não é?
 
Até certo ponto, isso é normal. Não dá para abarcar todo o mundo e ler sobre absolutamente tudo que acontece na Terra. O problema é quando, especialmente na esfera política, o leitor começa a não mais se informar sobre algo, mas apenas a confirmar a mesma ideia de novo e de novo. Nós, naturalmente, preferimos afirmação ao invés de informação. E nem percebemos! Isso é inerente ao ser humano, mas pode ser bem perigoso.
 
É quando você já “sabe” que tal político, por exemplo, “não faz nada de bom” e só procura notícias que digam exatamente isso. Ou quando tem certeza de que tal partido é sempre certo, então só lê sobre como a legenda só faz coisas boas. Isso se chama viés de confirmação. É quando você lê tudo com a plaquinha do “Eu já sabia” levantada. Sem contar o quão irritados ficamos quando alguém mostra uma fonte contradizendo tal afirmação. É óbvio que só pode ser mentira...
 
Para Johnson, o perigo das piores dietas da alimentação acontece quando a bolha é pequena e o viés de confirmação é muito forte. E, mais ainda, quando o leitor não percebe o que está acontecendo. E, acredite, às vezes é bem difícil perceber isso - até quando você já sabe que isso acontece...
 
No caso da eleição de Trump, olha só a minha situação: todos que eu conhecia de verdade ou seguia na Internet estavam revoltados com a postura dele. Chimamanda Ngozi Adichie, uma das minhas escritoras favoritas, afirmou em um artigo como fato: "Hillary Clinton vai ser a próxima presidente dos Estados Unidos". Lin-Manuel Miranda, minha pessoa favorita, foi ao programa de TV Saturday Night Live cantar uma das frases icônicas do seu musical super icônico Hamilton e dedicá-la a Trump: "Never gonna be president now".
 
Então, como foi que ele ganhou se "todo mundo" estava contra ele? Ele ganhou porque mais ou menos 60 milhões de eleitores estavam a favor dele. Eu é que não sabia.
 
Vamos deixar de lado as questões políticas e econômicas que levaram a esse resultado e focar na questão da informação.
 
Clay Johnson fala bastante sobre como podemos consumir apenas um "lado" das notícias se não estivermos atentos. Ele até cita vários veículos que conservadores americanos certamente leem mas que liberais nunca checam e vice-versa.
 
Mas o mundo não é dividido ao meio e fatos são fatos independentemente dos nossos sentimentos. Não há duas versões deles. O problema aqui não é você ter um lado político ou ideológico - longe disso. É você perder de vista o que acontece na outra ponta. É passar a achar que é “um contra o outro”, que seu “time” está sempre certo quando o outro está sempre errado. É esquecer que o fato de acreditarmos em algo, termos determinada posição em algum tema, não torna "o outro lado" 100% errado - nem o seu 100% certo. E se dar conta disso é um exercício constante.
 
Existe um podcast maravilhoso chamado Mamilos que é ótimo para esse exercício. Nele, Cris Bartis e Juliana Wallauer trazem dois lados da moeda quando vão discutir sobre algum tema - e incentivam sempre a empatia e questionamento consciente. Vale conferir :)
 
O importante não é ser uma pessoa neutra em tudo, isso é impossível. Mas é não criar uma cegueira que o impeça de saber o que se passa em outras esferas que não só a sua.

Por que nos informamos mal?

O leitor pode passar horas por dia “se alimentando” de notícias e, ainda assim, ficar desnutrido.
Para Johnson existem algumas formas de se informar mal:
 
1 – Não saber a diferença entre informação e opinião: 
 
Ele cita vários programas de “notícia” americanos que são, na verdade, comentários tendenciosos (para um lado ou para o outro) disfarçados de informação. Acontece de várias notícias “convidarem” o leitor a pensar desta ou daquela forma. Isso é opinião. Será que conseguimos identificar os veículos brasileiros que fazem isso? Melhor, será que você consegue identificar, dentre os veículos que você consome, os que fazem isso?

2 – Consumir notícias feitas em “fábricas de posts”: 

Uma das partes do livro que mais me chocaram foi a sobre as “fábricas de posts”. São veículos da internet que pagam pouquíssimo para “jornalistas” escreverem o máximo possível por dia. Dez artigos diários até. Aí não importa qualidade, apuração, o que importa é a quantidade. E é claro que a veracidade vai pelas cucuias e os “click baits” se multiplicam. Para Johnson, consumir essas “notícias” é o mesmo que comer comida enlatada. É um negócio que enche, ocupa, mas não nutre em nada. Só nos dar a ilusão de estarmos bem informados.

3 – Ler informações muito distantes da fonte: 

É o famoso telefone sem fio. Você acaba vendo aquela informação super importante em um post do Facebook de um amigo que está repostando um blog que, por sua vez, está citando um site, que apurou em um estudo, que foi publicado em uma revista e assim por diante. Pode estar tudo certinho e o post do seu amigo pode ser bem útil, mas vamos admitir que as chances dessa corrente dar errado são muitas. Para Johnson, quanto mais perto da fonte melhor. Se a matéria cita um estudo da ONU, porque não checar esse documento diretamente? Se a reportagem indica uma estatística porque não verificar na própria instituição responsável?
 
Eu, particularmente, acrescentaria que Facebook não é lugar de ler notícias, ponto final. Isso sem nem comentar o quão forte é a sua bolha dentro da rede… (assunto que merece um texto só para ele).

Porque essa dieta não é saudável

Além de causar grandes decepções, como a minha com as eleições americanas, uma dieta pouco diversa, causa má informação. “Quanto menos uma decisão ou opinião é baseada em fatos, menos os fatos vão mudar essa decisão ou opinião”. (obs: nessa hora me deu vontade de jogar o livro na parede e sair correndo gritando que não há salvação).
 
Clay também fala que "Quanto mais informada uma pessoa, mais firmes se tornam suas crenças. Se elas estão ou não corretas, é uma questão totalmente diferente". Mas espera aí, isso não contradiz um pouco a informação anterior? Lembra do que falamos ali em cima sobre como nós buscamos mais afirmação do que informação? Uma quantidade grande de dados não significa, necessariamente, um vasto número de informações.
 
O que isso quer dizer? Quer dizer que o leitor se torna bitolado, cego. De tanto ouvir as mesmas coisas, aquilo se torna verdade. E aí, não importa se aquilo é fato ou opinião de alguém que você segue nas redes sociais. É verdade e pronto. E nem adianta querer discordar...
Sabemos escapar destas armadilhas?

No dia a dia, sabemos identificar os problemas que Johnson enumerou? Sabemos o que consumir e o que evitar nesse novo mundo de abundância de informações?
 
Compartilhamos uma pesquisa nas redes sociais perguntando como as pessoas consomem notícias. Fizemos 5 perguntinhas para tentar entender um pouco melhor como as pessoas lidam com o consumo de informação:

  • Onde você lê notícias? (Facebook, Twitter, Portais de notícias, blogs, etc?)
  • Você sempre lê notícias nos mesmos veículos ou costuma variar?
  • Você acha que a maioria das pessoas lê os mesmos veículos que você?
  • Você lê notícias de fontes pouco populares?
  • O que você faz para checar a veracidade das informações que você lê?

No geral, descobrimos que as pessoas consomem notícias em portais de notícia, blogs especializados e em redes sociais (Facebook sendo das mais citadas), e que costumam variar as fontes. Sobre consumirem notícias dos mesmos veículos, o resultado ficou meio dividido - embora o sim tenha tido uma margem um pouco maior.  As fontes populares não fizeram tanto sucesso e, buscar fontes confiáveis, foi o jeito mais citado de checar a veracidade das informações. 
 
Estes dados nos trazem perguntas importantes: o que é uma fonte pouco popular? O que é uma fonte confiável? 
 
Mas sabe qual o detalhe que não podemos deixar de notar com essa pesquisa? Ela representa o comportamento do consumo de informações… dentro da nossa bolha! Quase todas as pessoas que responderam a essa pesquisa receberam as perguntas através do Facebook (que tem a bolha particular dele). O quanto isso influencia?

E como seria uma boa Dieta da Informação?

Assim como uma alimentação variada é mais saudável, uma dieta de informações mais ampla faz bem para a nossa percepção de mundo.

  • Prefira informação ao invés de afirmação (é difícil, vai mexer com você, mas faça)
  • Preste atenção aos filtros e a sua bolha.
  • Seja consciente sobre o seu viés de confirmação.
  • Consuma notícia mais perto da fonte.
  • Consuma menos informação processada.
  • Fuja de informações de “fábrica de notícias” 

E aí, vamos nos informar de maneira mais saudável?


Referências legais:
 
O escritor e youtuber John Green explica como adotou uma dieta de informação mais saudável diminuindo a quantidade e melhorando a qualidade das notícias que ele consome.
 
Yuval Harari, historiador e autor do best-seller Sapiens, fala sobre como ainda não sabemos como lidar com o excesso de informação.
 
A escritora Chimamanda Ngozi Adichie mostra, em palestra do TED, os perigos de ouvir apenas um lado.
 
Jeff Jarvis, jornalista e professor, resume a história toda em um artigo bem entitulado “Qualidade ao invés de porcaria”.  

 Cris Bartis e Juliana Wallauer comandam os debates no podcast Mamilos.
 
Editor da revista Superinteressante fala sobre essa questão de ir direto à fonte ao invés de ler interpretações sobre o assunto. 


Esse artigo foi produzido em dupla. Depois de lermos o mesmo livro e termos os mesmos insights e preocupações, eu e Andreza percebemos que tínhamos que escrever sobre o assunto.

Sobre as autoras:

 

Andreza Mendes

Suzana Valença

Sou designer especializada em mídias digitais. Trabalho ajudando empresas e pessoas a se comunicarem melhor utilizando a internet. Também sou professora de Marketing Digital. No tempo livre, gosto de ler (conhece o @3girlsabunchofbooks?), assistir filmes, séries e documentários e viajar (não necessariamente nesta ordem). Sou jornalista especializada em mídias digitais. Trabalho criando conteúdo para a internet e ajudando meus clientes a se comunicarem com seus públicos. Quando não estou nerdando profissionalmente, estou lendo, ouvindo música ou vendo série do Netflix. Ou seja, nerdando por lazer.
 

 


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Fundador do Twitter acha que “a internet está quebrada”

“Eu achava que, uma vez que todos pudessem falar livremente e trocar informações e ideias, o mundo seria, automaticamente, um lugar melhor. Mas eu estava errado”.

Esse depoimento decepcionado vem do fundador do Twitter Evan Williams.
 
Em uma matéria maravilhosa do New York Times, Williams fala sobre como anos empreendendo em plataformas de conteúdo na internet o levaram a repensar a forma como usamos essas ferramentas. 
 
Ele compartilha duas preocupações sobre as quais já falamos por aqui:

O fantástico mundo do conteúdo de qualidade (ele existe?)

A balança de Williams está pendendo para as alternativas mais negativas nas perguntas acima. “A internet está quebrada”.
 
Mas, se criar uma rede no qual pessoas de todo o mundo pudessem dialogar entre si de forma rápida e amigável não era o suficiente para melhorar a comunicação da humanidade na internet, qual śeria o próximo passo?
 
A solução (comercial, pelo menos) de Williams, foi se afastar do Twitter e criar uma plataforma de conteúdo na internet que crescesse e lucrasse baseada na qualidade do material postado. 
Qualidade. Não anúncios, clickbaits, fofocas ou sensacionalismo.
 
Para isso, ele fundou o Medium.


Deu certo? A resposta é um “veja bem…”

O Medium é uma plataforma bonita, fácil de usar, e, até agora, tem reunido bons conteúdos e autores interessantes. Agora, dá lucro? Não sabemos, mas, no início do ano, a empresa teve que demitir vários funcionários para enxugar as operações e, segundo divulgou, focar em outra forma de atuação. O Medium acrescentou também opções premium para um público pagante.
 
Para Williams, não tem como gerar, curar, ou gerenciar conteúdo de qualidade se a renda para esses serviços não vier do consumidor.

“O sistema baseado em anúncios recompensa apenas o que atrai a atenção. Anúncios não conseguem recompensar a resposta correta. Mas o sistema pago pelo consumidor sim. Os consumidores recompensam a qualidade. A solução é inevitável: as pessoas terão que pagar por conteúdo de qualidade”.


Conteúdo pago é a resposta? 

Eu, particularmente, acho que sim. E estou na torcida para que Evan Williams (e outros!) tenham sucesso nessa missão de unir lucro com qualidade. 
 
O que vocês acham?

Imagem: New York Times

 


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Trocando ideia com quem pensa diferente

Por que, às vezes, parece ser tão difícil conversar com as pessoas? Por que o que é tão óbvio para a gente não faz sentido para o outro? Parece que, com tanta ferramenta de comunicação no mundo, ficamos mais distantes porque ninguém mais sabe dialogar.

Eu que trabalho com mídia fico extremamente angustiada em perceber que nossas conversas online, que poderiam ser tão interessantes, acabam virando só briguinha do Facebook. E sempre penso sobre como essa falta de diálogo afeta nossa forma de entender e agir sobre as notícias que lemos.

Vocês também têm essa angústia?

Há algum tempo fiquei feliz em encontrar um bom antídoto para esse sentimento. Eu achei um podcast lindo que quero recomendar para todo mundo, o With Friends Like These. A ideia deles é exatamente colocar “opostos” para conversarem, mas não em um debate daqueles que logo viram um barraco. Em cada episódio eles ouvem um ponto vista individualmente e buscam, de verdade, dar espaço e compreender.
(Coloquei opostos entre aspas porque diferentes não são necessariamente um contra o outro, não é mesmo?)

No primeiro episódio, a apresentadora do podcast, Ana Marie Cox, uma jornalista branca liberal, conversa com um pastor conservador sobre a eleição de Trump. A missão não é falar mal do presidente dos EUA (essa seria a parte fácil), mas ouvir e entender os motivos que levaram o religioso e a sua comunidade a elegerem o candidato republicano. 

É um podcast difícil de ouvir, às vezes, e força o intelecto a sair da zona de conforto.

Num outro episódio, Cox entrevista um jornalista negro e discute questões raciais. No mais recente, e o meu favorito, o podcast conversa (e ouve!) um homem gay que atua na igreja protestante sobre como ele concilia as duas coisas. 

Os programas são sempre interessantes, Cox é uma mulher super inteligente e a ideia de dialogar com o diferente rende ótimos aprendizados. Recomendo.

Mais sobre diferenças: 
Nossas Múltiplas Identidades 
Mais sobre rótulos e preconceitos
Como brigar na internet
 

 


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Nossas múltiplas identidades

Para Johnnetta Cole, a diretora do  Museu Nacional de Arte Afro Americana, “nosso mundo seria muitíssimo melhor se nós pensássemos e interagíssemos uns com os outros em termos das nossas múltiplas identidades”.

As múltiplas identidades ser humano.

O que ela detalha é que estamos muito acostumados a rotular os outros e a tentarmos, nós mesmos, nos encaixar em padrões. Até certo ponto, isso é normal. Mas é muito mais correto e interessante vermos uns aos outros como mais do que só uma ou outra identidade.

O post sobre o depoimento dela que estava aqui no blog foi parar na revista Trendr. Em abril, a publicação está reunindo artigos de vários autores para discutir o tema #VivaADiferença. Checa lá! Além do meu próprio texto, recomendo conferir as outras produções do mês. Tem muita ideia legal por lá. 
 

 


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3 resultados de uma boa comunicação

Uma empresa pode se beneficiar de uma comunicação eficiente de diferentes maneiras. Entretanto, todos os resultados positivos podem ser agrupados em três tipos principais: vendas, reputação ou engajamento.

Como a comunicação pode ajudar uma empresa?

A primeira forma no qual a comunicação pode ser usada para gerar resultados para uma empresa ou profissional é, talvez, a mais óbvia: a geração de vendas.  Claro que todo negócio vive de lucro e, no final das contas, todos os diferentes setores de uma companhia estão voltados para vender ou dar apoio à atividade de vendas. Falando assim até parece algo extremamente seco e oportunista. Mas não é. Aí é que entra uma boa estratégia de comunicação. Com o tom correto e o diálogo aberto, a comunicação para vendas pode gerar resultados bem interessantes com os consumidores. 

Outra forma é a comunicação para fortalecer a reputação de uma marca ou um profissional. Muito marketing de conteúdo tem sido pensado dentro desta demanda. Neste caso, o objetivo principal é estabelecer a empresa ou pessoa como especialista em sua área, como ator importante do mercado e como referências em seu setor de atuação. Uma boa forma de se fazer isso é compartilhando e produzindo conteúdo relevante. Aí, mais uma vez, uma estratégia de comunicação bem bolada fará toda diferença.

A terceira forma de um negócio se beneficiar de um trabalho de comunicação é aumentando o engajamento com os clientes. Isso não quer dizer apenas ter vários seguidores no Facebook. Mas sim, ter diferentes canais para conversar com o cliente e atende-lo da melhor forma possível. É ter uma estratégia para trazer o consumidor para perto da marca e habilitá-lo a fazer parte do negócio, de certa forma, participando das ações, usando as plataformas da empresa para trocar ideias, recomendando os produtos para amigos e assim por diante.

Recapitulando, em resumo, a estratégia de comunicação pode ajudar uma empresa das seguintes formas:
•    Comunicação para alavancar vendas
•    Comunicação para fortalecer a reputação da marca ou profissional
•    Comunicação para aumentar o engajamento do cliente

(Um quarto caso seria o gerenciamento de crise, que é comunicação que as companhias precisam fazer em caso de problemas. Mas não vamos explorar esse tema aqui).

Como escolher a comunicação para a empresa

Esses são os três possíveis resultados positivos que a comunicação externa (ou seja, a conversa com os clientes e comunidade) pode trazer. Não dá para atirar para todos os lados, é preciso avaliar e escolher quais destes três caminhos é o mais relevante para a filosofia e o momento da empresa. Algumas recomendações podem ajudar a guiar essa escolha.

Comunicação para vendas é ideal para: 
•    Negócios iniciantes que precisam se apresentar ao mercado.
•    Empresas que querem aumentar a saída de um produto.
•    Negócios que estejam lançando uma nova solução.
•    Empreendimentos inovadores que precisam explicar como funcionam para o público.

Comunicação para reputação é ideal para:
•    Especialistas como psicólogos, consultores, palestrantes e demais profissionais que vendem serviços intelectuais.
•    Profissionais que são sua própria marca.
•    Empresas que desenvolvem serviços especializados.
•    ONGs e instituições que contam com a reputação para gerar receita.

Comunicação para engajamento é ideal para:
•    Empresas que são escolhidas pelo cliente de acordo com o relacionamento que ele tem com a marca. Por exemplo, lojas, restaurantes, clubes ou cafeterias.


Abaixo, um resumo de como eu trabalho dentro destes três resultados possíveis e como as ferramentas de comunicação devem se encaixar na estratégia adotada.
 

Imagem: Canva

Apresentação: Marcelo Valença 

 


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“Estamos inundados de informação!”

Em uma entrevista para o podcast do canal Vox, o historiador Yuval Harari fala sobre nossa relação problemática com a informação. Para o autor do best-seller Sapiens, temos muitos dados ao nosso dispor, mas não sabemos o que fazer com essa abundância. 

“Eu acho que o que aconteceu no último século é que nós passamos de uma escassez de informação para um dilúvio de informações. Antes, o problema principal com a informação era que nós não tínhamos o suficiente, e havia censura, e os dados eram muito raros e difíceis de serem obtidos. Agora, é justamente o contrário. Nós estamos inundados pela quantidade de informação. Nós perdemos o controle da nossa atenção. Ela foi sequestrada por todo tipo de força externa”.

Concordam?

Eu e Andreza Mendes estamos pensando bastante sobre isso e produzindo um artigo para trocar ideias sobre esse assunto com vocês. Quem quiser participar da conversa, pode comentar aqui.

 

Crédito da imagem
 

 


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Como brigar na internet (corretamente)

Se você nunca quis brigar no Facebook tem algo errado com você. Brincadeira à parte, quem nunca leu uma bobagem na internet e precisou conter a ânsia de sair logo criticando? As redes sociais, com seu infinito potencial para criar conexões incríveis entre os seres humanos, são também um lugar propício para bate-boca. Eu já tive que me segurar muitas vezes. E já parti para a discussão também. Mas acho que dá para conversar civilizadamente e tirar proveito dessa loucura toda.

O escritor e professor Mortimer Adler acreditava que para que qualquer discussão fosse produtiva, os debatentes deveriam seguir algumas regras básicas de educação e argumentação. Ele chamou esse conjunto de orientações essenciais de “regras de etiqueta intelectual”. 

Sabe onde está faltando isso aí? No Facebook, no YouTube, nos comentários do G1, na internet em geral.

Adler escreveu seu mini manual em 1940, no livro Como Ler Livros. Ele queria ajudar os leitores a terem uma “discussão” frutífera sobre o conteúdo proposto por escritores em suas obras. As ideias dele, entretanto, podem ser transpostas para a internet sem qualquer problema, e estão mais atuais do que nunca.

Vamos a elas:

Como saber se você pode brigar 

Ok. Você leu aquele textão do Facebook defendendo alguma ideia que você julga absurda e, em um piscar de olhos, seus dedos já estão furiosamente digitando um contra argumento. Calma! Antes de começar uma briga (ou melhor, uma discussão civilizada), analise se as regras de etiqueta intelectual foram cumpridas. 

Primeira regra: “Não critique até que tenha completado o delineamento e a interpretação do livro. (Não diga que concorda, discorda ou que suspende julgamento até que tenha dito entendi)”, explica Adler. No nosso caso, troque “livro” por “post polêmico”. Depois, tenha certeza de que você realmente compreendeu o que foi dito antes de começar a argumentação contrária. Nem preciso dizer que não vale comentar (discordando ou concordando!) sem ter lido tudo, não é? 

Segunda regra: “Não discorde de maneira competitiva”. Ou seja, não inicie uma briga (ops, discussão civilizada) para ganhar ou para humilhar quem você está criticando. Discorde para esclarecer algo, para entender o ponto de vista do outro, para aprender mais ou até mesmo para manter a conversa rolando, já que diferenças nem sempre são negativas. Mas nunca para competir.

Terceira regra:Demonstre que reconhece a diferença entre conhecimento e opinião pessoal apresentando boas razões para qualquer julgamento crítico que venha fazer”. Gente, esse Adler era danadinho mesmo! Em 1940 o cara já estava ligado no que viemos a chamar de “pós-verdade” e “fatos alternativos”. Aqui são dois passos. Você tem que separar o que no post polêmico é a opinião do autor e o que é um dado comprovável. Isso vai fazer diferença na hora de bolar a resposta, mas nem sempre é óbvio. Muitos soltam suas ideias sem dizer “eu acho” antes, fazendo parecer que elas são a mais pura realidade. Em seguida, você tem que fazer o mesmo no seu comentário, mostrando o que é um sentimento seu e o que é um fato.  

Como criticar alguém

Se você acha que passou bem pelas regras acima, maravilha, pode soltar a mão na resposta. Adler também elaborou orientações sobre como mostrar um argumento contrário para alguém.

Para ele, o autor de um conteúdo só pode estar errado de quatro maneiras. Ou ele está desinformado, ou está mal informado, ou traçou uma linha de raciocínio errada ou deu uma explicação incompleta. Só. Perceba que, com isso, saímos do mundo do achismo, da raiva, do fanatismo, enfim, das emoções inflamadas. A conversa agora é sobre dados reais. Todas as formas de criticar alguém devem estar nessas categorias. Caso não, seu argumento será emocional e não intelectual. 

Se só existem quatro formas de estar errado, só temos também quatro formas de criticar. Adler dá o caminho:

Mostre onde o autor está desinformado – Se o dono do post polêmico disser, por exemplo, que lugar de mulher é na cozinha porque elas gostam mais de cuidar da casa, mostre essa pesquisa da ONU sobre trabalho doméstico. Ou pergunte a ele se a afirmação, ao invés de um dado, não seria uma opinião dele.

Mostre onde o autor está mal informado – Eu acabei de ver uma foto de Trump jovem com seus pais vestidos de KKK. Se eu tivesse postado essa imagem revoltante você poderia dizer que eu estou com uma informação errada, que o retrato é falso e que a fonte onde eu a encontrei (o Twitter de um desconhecido) provavelmente não é confiável.

Mostre onde o autor foi ilógico – É o famoso “lé com cré”. Diga como a linha de raciocínio (tal ato leva a tal reação por tal motivo) não procede. Por exemplo, “um grande fluxo de imigração em uma área causa aumento da criminalidade naquele local”. Isso já foi desmentido.
 
Mostre onde a análise ou explicação do autor está incompleta – Às vezes, a informação está errada porque não está inteira ou é um recorte de um contexto maior. Isso acontece muito com estatísticas, das quais é utilizada apenas a parte que interessa para o argumento. Fora de uma perspectiva, alguns dados podem ter interpretações bem diferentes.
 
Se você não puder discordar utilizando um ou mais desses métodos, adivinha só, de novo seu problema é emocional e não racional. 

O escritor abre uma exceção, entretanto. Caso você, o crítico, desconfie de que o autor incorreu em algum dos problemas acima, mas não tiver dados para mostrar-lhe esse erro, você pode "suspender o julgamento". Você pode nem concordar, nem discordar, pode ficar "desconfiado em cima do muro". Mas neste caso não discuta. Seja educado.

Não brigue com qualquer um

O escritor elaborou essas ideias para ajudar o leitor a discutir intelectualmente. As ideias são voltadas para quem vai contra argumentar, rebater um conteúdo. Eu acho, entretanto, que talvez possamos espelhar as regras de Adler e, desta forma, usarmos estas orientações para decidirmos com quem vamos brigar.

 Funcionaria assim: qualquer postagem, tuite, artigo, que não cumprissem as regras básicas de “etiqueta intelectual” ou que não passem razoavelmente no teste dos quatro erros não mereceriam resposta. Ou seja, aquele textão tão irritante do Facebook não merece qualquer atenção se não tiver sido escrito com o mínimo de educação e não contiver dados que possam ser comprovados ou rebatidos. 

Eu acredito que, seguindo as ideias de Adler, e adotando algumas extrapolações, brigar na internet passaria a ser um exercício de argumentação e aprendizado bem interessante.

Vamos brigar!


(Lembrando que abuso, bullying e discurso de ódio não devem ser discutidos, mas denunciados). 
 

 


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Como a mídia sensacionalista noticiaria acontecimentos de clássicos literários

O filósofo Alain de Botton visitou a redação do tabloide inglês Sunday Sport com um desafio. Ele queria saber como as grandes tragédias da literatura ocidental seriam noticiadas em um jornal sensacionalista. A dinâmica foi a seguinte, Botton discutia com os repórteres a trama das obras e os caras bolavam as manchetes.

O resultado:

Othelo
Imigrante louco apaixonado mata filha de senador


Madame Bovary
Adúltera viciada em compras engole arsênico depois de falência bancária


Édipo Rei
Sexo com mãe causa cegueira 

A experiência com o jornal foi divulgada em uma palestra de Botton no TED na qual ele fala sobre como repensar os conceitos de sucesso e fracasso.

Ele utiliza o experimento para argumentar como a mídia costuma resumir as narrativas das vidas das pessoas, dividindo elas em “perdedores” e “ganhadores”. Isso, especialmente no caso dos veículos mais apelativos, significa idealização daqueles colocados na primeira categoria, e zombaria dos que caíram na segunda. 

Claro que a “moral da história” é que nada é tão simples assim. E o meu aprendizado particular foi que ninguém nunca em qualquer circunstância deveria ler o Sunday Sport, que eu descobri ser um “jornal” horroroso.

Aqui está a palestra inteira de Botton:

Alain de Botton é autor de vários livros e foca no uso da filosofia em nosso cotidiano, como o pensamento filosófico pode ser útil para os dias de hoje. Ele é fundador da School of Life, instituição que produz conteúdo educativo, entre livros, vídeos e aulas sobre esse tema.
 

 


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