Como usar o Feedly para substituir o Facebook

Se o Facebook não é lugar para ler notícias e não dá para a gente comprar trocentos jornais de papel todo dia, como faremos para ficar bem informados?  
 

Algumas semanas atrás, sugeri usarmos o Feedly. A ferramenta é um agregador de posts. Você diz quais são os sites que você gosta e o Feedly mostra quais são as últimas atualizações daquelas páginas, tudo num lugar só. 
 
Conversando sobre isso, Márcia Lira (do Menos Um Na Estante) me deu uma ótima ideia. Ela lembrou que o Feedly dá um pouco de trabalho para organizar no começo e perguntou se eu não poderia mostrar como foi que eu fiz o meu.  
 
Então, lá vai: como usar o Feedly para ficar bem informado sem usar redes sociais nem ficar pulando de site em site.  

1 - Comece aos poucos e vá crescendo

Márcia lembrou muito bem, é preciso ter um tempinho livre para alimentar o Feedly com tudo que você quer ver. Então, a minha dica para não desanimar é começar aos poucos. Eu, por exemplo, abri minha conta lá só com os assuntos que, na época, eu estava estudando na pós-graduação: marketing digital e redes sociais. 
 
Nessa área, sigo: FastCompany, Gizmodo, Mashable, TechCrunch, The Next Web, Buffer, B9, Update or Die, Blue Bus, entre outros. 
 
Sigo também os blogs oficiais do: Facebook, Twitter, Instagram e Google.

Feedly substitui o Facebook

2 - Crie suas próprias editorias e as personalize

Depois de alimentar meu assunto principal de interesse, fui atrás das notícias gerais. 
Criei um feed com notícias de Recife / Pernambuco, outro para notícias do Brasil, e um terceiro para notícias do mundo. Nesses casos, comecei seguindo os maiores veículos e depois fui acrescento outras fontes. 
 
Notícias do Recife: Jornal do Commercio, Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco, LeiaJá, G1 Pernambuco, etc. 
 
Notícias do Brasil: Nexo, BBC Brasil, Intercept Brasil, Poder360, HuffPost, Veja, BuzzFeed, etc. 
 
Notícias do Mundo: The Guardian, BBC, CNN, Vox, Time, etc. 
 
Na maioria dos casos, é possível personalizar quais editorias seguir em cada veículo, o que eu recomendo muito. O Diario de Pernambuco, por exemplo, permite que eu siga somente notícias do meu time, o Sport, ao invés de todas as atualizações sobre futebol. E a Vox, dá a opção de seguir colunistas ou temas específicos.  

Feedly substitui o Facebook


3 - Abra espaço para os assuntos que te fazem feliz  

Eu abri um feed só para agregar notícias e blog posts de fãs sobre a banda Sonata Arctica, porque sim, quem manda no meu feed sou eu! Sugiro muito você também criar “editorias” de assuntos que te deixam felizes.  
 
Eu tenho um feed feliz com notícias sobre ciências. Não tem nada a ver com a minha vida, mas eu acho divertido. Tenho outro feed só com blogs que eu acompanho. O que é uma mão na roda para não perder nenhum post. 
 
Ciências:  XKCD, Superinteressante, BrainPickings, IFL Science, Mental Floss, etc
Blogs: Austin Kleon, Vida Organizada, Delirium Nerd, The Valkirias, Livro Errante (o blog da minha mãe!!!), Menos um na Estante (o blog de Márcia!), entre outros. 

Feedly substitui o Facebook


 E aí, pronto (a) para montar o seu próprio feed de notícias? 

 


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Não leia apenas o conteúdo mais popular

No meio do escândalo da “mineração” de dados do Facebook pela Cambridge Analytica, uma resposta comum foi #DeleteFacebook. Eu discordo. Mas acho que temos que mudar radicalmente nosso relacionamento com a rede de Mark Zuckerberg. Acho que precisamos sair da armadilha do conteúdo popular.  

Conteúdo mais popular

Facebook (e 99% das outras ferramentas de conteúdo digital) prioriza os posts mais clicados. Quanto mais clicado for um post, mais ele será visto e mais ele será clicado, criando um ciclo eterno de popularização do conteúdo popular. 

Para quem quer consumir notícias, esse processo é insano! (Sim, eu já disse isso antes). Não podemos ler apenas as matérias mais lidas. 

Por causa dessa discussão, lembrei de um post meio antigo de Seth Godin que se encaixa perfeitamente nessa conversa. É sobre como os conteúdos mais populares não são, necessariamente, os mais significativos. Veja o que ele diz e me diga o que você acha: 

Se tudo que você consome é a lista das mais lida, se tudo que você ouve são os hits, se tudo o que você come é o item mais popular no menu - você está perdendo

A web nos levou a ler o que todo mundo está lendo, o hit do dia. Mas popular não é o mesmo que importante. Popular não é o mesmo que profundo. Popular nem é o mesmo que útil. 

Para tornar algo popular, o criador deixa de fora as partes difíceis e amplifica os riffs que agradam a multidão. Para fazer algo popular, o criador sabe que está mudando as coisas em troca de atenção. 

As músicas que você mais ama, a trilha sonora da sua vida - quase nenhuma delas foi a número 1 nas paradas da Billboard. E o mesmo vale para os livros que mudaram a maneira como você vê o mundo ou as lições que transformaram sua vida. 

Popularidade não significa "melhor". Significa, meramente, popularidade".   
 

Image: Pixabay
 
 

 


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Não tem tempo para ler notícia? Ouça matérias narradas!

Uns meses atrás eu salvei um artigo para ler e não completei a tarefa por dias e dias. Aquilo estava começando a me incomodar. Era um artigo da revista The Atlantic que afirmava com todas as letras que Trump era racista e porquê. A mídia e os analistas políticos americanos só falavam dessa matéria. E eu lá, perdida na história porque não tinha lido. Mas o texto era longo, páginas e mais páginas, quem tem tempo? 

Aliás, quem nunca salvou um artigo para ler depois e… nunca mais voltou ao link?

Matérias narradas

As vantagens das matérias narradas

Meu problema com a The Atlantic foi resolvido em segundos quando descobri que a publicação disponibiliza narrações dos textos. O leitor tem acesso à versão escrita ou pode ouvir à matéria. Baixei o app, selecionei o artigo, e ouvi tudo enquanto lavava os pratos. 

Há alguns meses eu também comecei a trabalhar com matérias narradas. Depois de muito tempo procurando uma solução neste formato, encontrei e fechei parceria com a Vooozer. A empresa de Curitiba faz narrações de conteúdo para todo o Brasil, disponibilizando uma plataforma de envio e recebimento de arquivos para os clientes. Uma vez realizadas, recebidas e revisadas, as narrações podem ser postadas em sites e blogs. 

No momento, meu cliente Endovascular Brasil está usando a solução. O site do aplicativo já tem várias matérias narradas. Todos os áudios também podem ser baixados para serem ouvidos offline. Não é uma ótima forma de se atualizar mesmo com pouco tempo disponível?

Imagem: Pixabay / Creative Commons

 

 


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Devemos parar de ler notícias no Facebook

Vocês viram Mark Zuckerberg todo estropiado na capa da Wired?

 Fonte:  Wired

Fonte: Wired

A revista trouxe, esse mês, uma matéria longa (mais de 50 fontes!) sobre os últimos dois anos dentro do Facebook e as porradas que a rede levou. O principal problema nesse período? A relação da plataforma de Zuckerberg com os veículos de notícia, as fake news e os posts gerados apenas para conturbar a discussão política nos EUA.

Depois de ler tudo (demorei três dias), cheguei a conclusão de que a solução não é sair do Facebook e falar mal da rede. O que precisamos fazer é mudar como nos relacionamos com ela. E o principal passo é o seguinte: devemos parar de ler notícias no Facebook.

Facebook não é veículo de informação

A matéria da Wired explica muito bem um dilema que tem assombrado o Facebook: ser ou não uma empresa de mídia. Mark continua dizendo que a rede é um lugar para encontrar amigos e parentes. O diretor da parte de notícias, disse o mesmo, recentemente.

Entretanto, o Facebook fechou várias parcerias com veículos de notícia, criou o Instant Articles para melhorar a visualização desse tipo de conteúdo, e investiu na criação de uma departamento de jornalistas para mediar os trending topics.

Em resumo: o Facebook não se diz uma empresa de mídia. Mas não para de flertar com esse mercado. 

E nós, usuários, ficamos como nessa bagunça?

O problema do gatekeeper único

Mesmo que estejamos muito cientes da complicada relação entre o Facebook e os veículos de notícias, temos um problema.

É muito preocupante que todos nós tenhamos trocado vários “gatekeepers” por apenas um. 

Antes da internet plenamente interativa, se usava o termo “gatekeeper” (o guardião do portão) para definir os curadores que tinha o “poder” de decidir que conteúdos seriam publicados. Revistas, programas de TV, jornais, eram guardiões. Os editores destes veículos escolhiam o que era notícia o que não era. E a gente só consumia. 

Com a evolução da internet, isso mudou. Em teoria, os guardiões perderam força. Eu agora posso ver notícia em qualquer lugar, de várias partes do mundo, de diferentes formatos, com variadas fontes. E eu posso também fazer a notícia ou o conteúdo. Eu sou consumidora e gatekeeper. Eu decido. 

Na teoria.

Na prática, não foi bem assim. Hoje, temos variedade sim. Mas temos um só portão. O Facebook. Todo conteúdo produzido na internet acaba parando no Facebook. Todo blog, canal do YouTube, livro digital, pesquisa na internet, site de notícia, é divulgado onde? Isso, no Facebook. Todos os rios desembocam nesse mesmo mar.

Isso é insustentável, porque coloca todas as nossas fontes de informação num mesmo funil, sob um mesmo algoritmo, dentro das mesmas regras. Toda notícia que você lê está à mercê das regras do Facebook. Isso não é só ruim, isso é insano!

A culpa é de Zuckerberg?

O Facebook é uma empresa que quer crescer sempre mais. A parceria com veículos de notícias é lucrativa e a rede não vai recuar tão cedo. 

Até acredito nos esforços declarados de Zuckerberg de tentar tornar essa relação mais clara, ética e transparente. Ainda assim, não podemos ter o Facebook como o único gatekeeper de todo conteúdo que consumimos na internet.

A solução, para mim, é variarmos nossa dieta de informação.

Pessoalmente, uso muito o Feedly para criar uma lista de leitura com todos os meus veículos favoritos. Já decidi a turbiná-lo e torná-lo meu “novo Facebook”.

Vamos voltar a visitar os sites de notícia, vamos acessar diretamente nossos blogs favoritos. Vamos ouvir podcasts pelos aplicativos, vamos ligar as notificações do YouTube.

Vamos abrir vários portões!

 


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Os melhores podcasts do mundo 

Onde você leu “os melhores podcasts do mundo”, leia “os melhores podcasts na minha humilde opinião”. Agora que tiramos a megalomania do caminho, posso dizer que, ano passado me tornei a louca dos podcasts. Assino uns 30 e ouço uns três por dia. Sigo tanto pods mais longos, com entrevistas e análises, e quanto outros mais curtos, com resumo das notícias do dia. Por isso, senti-me apta a sugerir meus favoritos: 

You are not so smart
O programa traz sempre entrevista com um ou mais pesquisadores sobre alguma nova forma de pensar. Em geral, as conversas são sobre sociologia ou psicologia da comunicação e as novidades da ciência nessas áreas. Detalhe “relevante”, a música de abertura é ótima.

Embedded
De toda a minha lista, o Embedded é um dos podcasts mais gostosinhos de acompanhar. A pauta do programa é espinhosa:  os bastidores dos negócios de Donald Trump, sua família e assessores próximos. Mas o formato faz com que a experiência de ouvir as matérias seja bem agradável.  Os repórteres criam uma narrativa bem resolvida. Não parece noticiário, parece que você está escutando alguém contar uma história muito interessante. Dá pra deitar no sofá e curtir.⠀

Podcasts

Pod Save America
Três comunicadores que trabalharam com Barack Obama se juntaram para fazer uma rede de podcasts (Crooked Media) e o principal produto da empresa é o Pod Save America. No programa, os três falam das últimas notícias políticas dos Estados Unidos de uma forma leve e despretensiosa. Até parece que você está numa roda de amigos.

ScienceVS
No ScienceVS, a jornalista Wendy Zuckerman escolhe uma ideia comum e vai atrás de evidências científicas para confirmá-la. Ou não. A última temporada discutiu comida orgânica, controle de armas, hipnose, ponto G, entre outros. O programa mistura ciência com humor tão bem que é impossível não aprender e dar risadas.

Ezra Klein Show
Geralmente, procuramos entrevistas com pessoas que gostamos. Nesse caso, eu gosto é do entrevistador. Ouvindo a esse podcast me peguei, várias vezes, pensando "que ótima pergunta" ou "que forma inteligente de abordar esse assunto". Ezra Klein é o fundador da Vox Media e, no programa, conversa pesquisadores, jornalistas  e estudiosos sobre temas atuais como a vida na Coreia do Norte, os impactos da tecnologia na nossa vida e feminismo.

The Bugle
Eles se denominam "um jornal em áudio para um mundo visual". É isso aí mesmo, sendo que é um jornal falso. O comediante Andy Zaltsman e seus convidados comentam as notícias da semana, inventam outras e destilam trocadilhos ruins. É risada garantida.

Mamilos
O melhor podcast do Brasil
, mas assim, de longe! O programa aborda temas difíceis e amplos sempre com generosidade e inteligência. Elas já falaram de autismo à Venezuela, de Handmaid's Tale ao paradoxo da tolerância.  As conversas são super do bem e procuram entender, explicar e discutir tudo com profundidade, mostrando diferentes lados.

Politiquês
É o podcast do jornal Nexo. Um programinha rápido no qual um conceito ou ideia política é explicada ao som de música brasileira atual e moderninha. As últimas edições falaram sobre o que faz um deputado, o que são medidas provisórias e a viabilidade de Marina Silva como terceira via no Brasil.

 


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Inteligência é como usamos a informação

Em entrevista ao podcast You Are Not So Smart, o neurocientista Dean Burnett parou um pouco antes de responder uma pergunta. A questão era: como você define inteligência?
Depois da pausa ele respondeu que, na sua opinião, existem dois tipos de inteligência: a fluida e a cristalizada. A diferença entre está na forma como armazenamos, acessamos e usamos a informação.

 

 

 

As duas formas de gerenciar informações

A inteligência cristalizada é como o hard drive de um computador”, explica Burnett. “É lá onde estão todas as informações, todos os dados, que você pode acessar e usar em qualquer momento”. Para o cientista, a inteligência cristalizada é tudo que já aprendemos e podemos lembrar. 

Já a inteligência fluida é como usamos todos esses dados. “É nossa habilidade de utilizar essas informações, de extrapolar, concluir, fazer conexões. É como o processador do computador” diz Burnett.

As duas inteligências em ação

Um exemplo da diferença entre as duas “inteligências” é a forma como usamos um língua estrangeira. Para o cientista, saber falar um idioma é um conhecimento cristalizado. Conseguir usar o entendimento de uma língua para concluir como uma palavra é dita em um terceiro idioma é a inteligência fluida em ação.

Como usamos a informação

Uma boa notícia

Sentimos que, com o tempo, vamos perdendo nossa capacidade de aprender ou de lembrar o que já sabemos. Mas o neurocientista diz que não é bem assim. Nossa memória até muda com a idade mas nosso “hard drive” nunca lota. “Ninguém viveu muito o suficiente para encher todo o cérebro”. 

Dean Burnett lançou, recentemente, o livro The Idiot Brain: A Neuroscientist Explains What Your Head is Really Up To (O Cérebro Idiota: Um Neurocientista Explica o que Nossa Cabeça Está Aprontando).

 


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Como será o jornalismo no Brasil em 2018?

 


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Precisamos entrevistar mulheres

Dependendo do assunto, sempre que formos procurar fontes para conversar, a maioria dos contatos que encontraremos será de homens. Não há nada de errado em entrevistar homens. Mas, no meio científico, existe uma desproporção grande entre a divulgação de trabalhos feitos por homens e aqueles feitos por mulheres. Para equilibrar as coisas nessa área, foi criado o site Mulheres Também Sabem.

Mas, quem?

“Você sabe que uma mulher tem que estar estudando esse tópico…, mas quem?”, pergunta o site. A proposta é resolver esse problema oferecendo uma lista de pesquisadoras com trabalhos interessantes em diferentes áreas.
 
Por enquanto, o site mostra fontes em campos de Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas e Humanidades. A iniciativa é baseada em uma ação semelhante de mulheres americanas que criaram o Women Also Know Stuff.

É cientista? Cadastre-se

E para as mulheres cientistas fantásticas que estão lendo isso, um pedido: cadastre-se no site! Além de fornecer suas credenciais para jornalistas interessados, a página ainda oferece orientações sobre como lidar com as demandas da mídia.

 


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Uma alternativa ao telejornalismo tradicional

Já faz algum tempo que cansei do formato tradicional de jornalismo televisivo. Por isso, fico de olho em propostas diferentes e criativas que surgem. Uma das descobertas interessantes que fiz recentemente foi o Beme News
 
O canal é um empreendimento conjunto de Casey Neistat, um dos maiores youtubers do mundo, com a CNN. Já acompanho Neistat há anos. Os vlogs do cara são trabalhos fantásticos de edição. Fiquei curiosa quando ele lançou o app Beme, baixei, testei, mas não era para mim. Não fiquei muito surpresa de saber que a ferramenta estava com dificuldades de decolar. Mas aí, veio a CNN. 

CNN + Youtube

O canal de notícias comprou o app de Neistat e… Pronto só isso. Ninguém soube mais nada. Mas fiquei já com o radar ligado. Muitos meses depois eles anunciaram que fariam um trabalho juntos e Casey começou a fazer vídeos que eram meio vlogs, meio coberturas jornalísticas. Eram bons, mas, para mim, faltava alguma coisa. Acho que minha maior implicância era com o fato de Casey ser a maior “estrela” dos vídeos (uma característica de vlogs) quando eu queria que o fato que ele estava acompanhando fosse o foco das atenções (uma característica do jornalismo). 
 
Já tinha deixado pra lá quando meu irmão Tito me avisou que um novo canal estava no ar. Era o Beme News, finalmente um resultado mais jornalístico da junção CNN + Neistat. Os conteúdos desse espaço são bem interessantes! 
 
A proposta continua sendo uma mistura de vlog com reportagem. Os vídeos mostram tanto a notícia em si, como a perspectiva do repórter. É um jornalismo desconstruído que eu acho legal de assistir, menos engessado. 

Não dá para desligar a TV ainda  

O formato tem problemas, claro. Sempre me pergunto se uma novidade pode substituir o jornalismo tradicional e, nesse caso, a resposta é não. Nas coberturas do Beme News, as histórias ficam pequenas. Por exemplo, quando foram mostrar a devastação causada pelo furacão Harvey, a matéria contou o caso de uma família que a repórter achou via Twitter. Foi super bem feito e eu gostei de assistir (ao contrário de coberturas tradicionais que me dão agonia). Mas o Beme News não mostrou todo o assunto, a grande história. Eles mostram um caso dentro de um acontecimento maior. Então, ainda não dá para desligar a TV e só assistir notícias via propostas inovadoras da internet. Seria ainda algo auxiliar. Você teria que ver a notícia do furacão “tradicionalmente” no Jornal Nacional e, depois, ver no Beme News a história particular de alguém afetado por ele.  

(Eu posso estar completamente errada. Se você souber de uma iniciativa que substitua o telejornal perfeitamente com uma proposta interessante, me avisa por favor!!!) 

Participação de quem assiste  

Uma proposta boa, mas problemática é a participação do público. É importante, tem que existir, mas nossa como é difícil. Sempre penso nas bobagens que os engraçadinhos tentam emplacar naquelas perguntas que aparecem na tela durante os jogos de futebol. Ou aquelas cartas de opinião totalmente sem noção que os jornais têm que publicar. Sem falar no inferno na Terra chamado comentários do G1. Para mim, o pior problema é: como obter perguntas interessantes do público?  

A Beme News tem um app para que os usuários mandem perguntas em formato de vídeo. Em um dos vídeos do canal, a proposta foi chamar um especialista em relações internacionais para responder perguntas sobre a Coreia do Norte mandadas pelo app. De cara, fiquei com o pé atrás. Mas o resultado, vejam só, foi interessante! Perguntas bobas aconteceram, mas as respostas foram boas. Por exemplo: qual é a melhor comida da país? Ou, a minha favorita, por que Kim Jong-Un usa aquele corte de cabelo horroroso? (Aparentemente, é para se parecer com o avô dele). 

Tenho perguntas

Vou continuar acompanhando o canal e recomendo! 
Mas, olha, bem que eu queria entrevistar algum dos responsáveis porque ainda tenho perguntas: 
Como a CNN participa? 
Quem edita, escolhe as pautas, seleciona as perguntas? 
Fico achando que a CNN faz a parte inicial de pautar e produzir, e a turma de Neistat faz a mão na massa e a edição.  
Por enquanto, essa está parecendo ser uma boa receita para fazer um jornalismo diferente que eu acho que precisamos tanto. 

 


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