O processo por trás da produção de uma newsletter

Todos os meses eu junto as ideias mais legais que garimpei por aí e envio em uma newsletter. Acho que o melhor da internet é a conversa, a troca, as sacadas, aqueles links interessantes que os amigos enviam. Então, quis participar mais desse bate-papo reunindo itens bacanas e os enviando para pessoas bacanas.

Ultimamente, bolar a news tem sido a minha tarefa favorita do mês. Eu adoro escrever e editar as notas. Por isso, fiz um videozinho para mostrar esse processo e convidar todo mundo a assinar.


Mas uma boa conversa flui dos dois lados, não é mesmo? Então, além de assinar, eu quero convidar todos a interagirem também. Falem o que vocês estão lendo, que podcast massa vocês descobriram, que inovação em comunicação vocês acharam incrível, que artista vocês acham que merece atenção.  Eu vou adorar receber tudo. Estou no twitter @suzanavalenca ou no email suzanavalenca@gmail.com.

Preencha os dados abaixo para assinar a news. Obrigada :)

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Como mudar a cabeça de quem pensa diferente

Você está conversando com um grupo de amigos e um deles começa a defender algum argumento político completamente errado. Mas não uma ideia que é ruim porque você acha que ela é ruim. Algo errado mesmo. Então você apresenta os dados científicos, históricos e estatísticos para provar que aquela ideia não está certa. A pessoa não se convence. Você começa a perder a paciência. "Não é uma questão de opinião, é um fato". Mas a pessoa insiste. Apela para o "isso é fake news". O que você faz?

Cientistas explicam porque é tão difícil mudar de ideia mesmo sabendo que ela está errada

Clay Johnson, no livro A Dieta da Informação, fala sobre como quanto menos um argumento político é baseado em fatos, mas difícil é mudar esse argumento usando fatos. Não é louco isso? Pensamos que é o contrário, mas não é. Se eu estou decidindo em que restaurante ir, mas não conheço muito nenhum deles, quanto mais eu souber sobre os estabelecimentos mais minha opinião vai se solidificar sobre o programa do final de semana, certo? Bom... mais ou menos.

Cientistas do Instituto de Cérebro e Criatividade da Southern California University explicaram em entrevista ao podcast You Are Not So Smart que certas crenças se comportam diferente em nosso corpo. Eles escanearam o cérebro de pessoas enquanto elas tinham suas ideias desafiadas. Dessa forma, descobriram que opiniões simples como qual restaurante é melhor mudam com a apresentação de fatos. Já ideias políticas, bem...

O que acontece no meu cérebro quando alguém desafia minha crença?

Os cientistas perceberam que o cérebro ativa uma área totalmente diferente quando vai processar um contra argumento sobre uma ideia política. Que área é essa? O local responsável por entender ameaças à nossa vida! Basicamente, termos nossas ideias fundamentais desafiadas estressa nosso cérebro ao extremo.

Isso é chamado de "backfire effect", o fenômeno de nos agarrarmos ainda mais a nossas ideias quando há fatos contrários a ela. É algo tão sério que os cientistas o compararam com um ataque de urso. O cérebro se protege do contra argumento como se ele fosse uma ameaça física e manda uma mensagem de perigo e defesa para o corpo.

Isso acontece porque nossas crenças políticas não só ideias que temos baseadas em fatos, que podem mudar e ser atualizadas a qualquer momento. Essas crenças, com o tempo, se tornam quem somos. Por tanto, uma ameaça a elas, são uma ameaça à nossa própria existência.

Não é maluco isso?

E então, como fazer alguém pensar diferente?

Segundo os cientistas, essa reação é normal. Nosso cérebro simplesmente funciona assim e não temos como escapar. O que podemos fazer é estar cientes desse fato sempre que tivermos nossas ideias desafiadas e sempre que formos desafiar a ideia de alguém. Será que não estamos ficando nervosos na roda de conversa porque "tem um urso nos atacando"? Será que não estamos colocando "um urso" atrás de alguém quando na verdade queremos só discutir uma ideia?

Uma boa orientação sobre como fazer isso é seguir as regras deste vídeo:

Basicamente, o que o vídeo diz é que todos nossos tendemos a pensar no bem estar de outras pessoas. Crescemos aprendendo sobre como é importante sermos educados e gentis com os outros. Para a School of Life, algumas ideias políticas mais radicais podem ser amenizadas se apelarmos para este impulso humano de sermos bons uns com os outros. Outra orientação dos neurocientistas é acabar com o estigma de estar errado. Para eles, é importante darmos espaços para as pessoas mudarem de ideia. Precisamos!

 

Mais sobre esse assunto: 

A forma como lemos notícia não é saudável
Como brigar na internet (corretamente)

Imagem: Pixabay / Creative Commons /You Are Not So Smart
 

 


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Como lidar com as tarefas chatas do trabalho

Gosto muito do conceito de "flow". Por isso, fiquei feliz em ler na newsletter de Murilo Gun um pouco sobre como ele aplica essa ideia no trabalho dele.

"Flow" é o momento em que alguma atividade ocorre com tanta fluidez que você nem percebe. O pesquisador húngaro Mihaly Csikszentmihalyi, que cunhou o termo, considera o flow um dos segredos da felicidade.

Em seu texto, Gun fala sobre como diferenciar as tarefas que criam "flow" daquelas que são meramente necessárias ao trabalho e como lidar com elas. 

Escrevi mais sobre isso aqui: 

 


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Os podcast mais difíceis de ouvir

[AVISO DE TEMA SENSÍVEL: esse post vai abordar saúde mental de uma forma muito direta. Se esse assunto for perturbador para você, não leia]
 
Demorei semanas para escrever esse post. Achei que seria muito interessante falar sobre dois episódios de podcasts muito bons, mas muito difíceis que ouvi há um tempo. Não percebi que seria complicado traduzir em palavras o que senti. Esse post não será perfeito, mas será o melhor que eu posso fazer sobre esse tema. Vamos lá.
 
A verdade é que eu também demorei dias para conseguir ouvir os episódios inteiros. Eu parava os áudios para respirar fundo. Chorar foi inevitável. Quis escrever sobre eles porque não é todo dia que a gente se depara com uma produção jornalística que cause essas reações.
 

Uma conversa difícil

O podcast With Friends Like These é sobre “conversas difíceis”, esse é o slogan do programa. Na maior parte das vezes, os tópicos são políticos, mas há algumas semanas, eles resolveram falar sobre suicídio. 
 
Claro que o tema por si só já indica uma matéria densa. Mas o diferente nesse caso é que não houve nenhuma entrevista. Ana Marie Cox, a apresentadora do podcast, e um convidado, outro jornalista que mantém um programa sobre depressão, contaram suas próprias experiências. Ele falou sobre o suicídio do irmão e como ele se sente culpado pelo o que aconteceu. Cox falou sobre sobre como ela mesma tentou suicídio. 
 
Pausei muitas vezes para respirar antes de ouvir toda a história. Eu sofri, mas achei muito admirável o esforço e a honestidade dos jornalistas em abrirem suas próprias vidas para abordar um tema tão difícil. É possível sentir como foi duro para eles fazer o
programa. 
 
[Não custa lembrar que, se você tiver passando por um momento difícil e precisar de ajuda, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida]

Quebrando estereótipos

Eu nunca tinha parado uma matéria no meio para chorar. Foi isso que eu fiz durante o episódio do podcast Science VS sobre aborto. 
 
Novamente, não é um tema fácil, mas foi o formato que deu mais impacto à reportagem. O podcast tem como objetivo investigar se o conhecimento popular sobre um assunto realmente faz sentido científico. Neste episódio, o programa investigou, entre outras coisas, se afirmações sobre “o tipo de mulher” que recorre a um aborto são de fato reais. A conclusão é que não. Nenhuma das críticas mais comuns corresponde à realidade. 
 
Para mostrar isso, a reportagem foi a uma clínica de aborto no interior dos Estados Unidos entrevistar médicos e pacientes. O depoimento das mulheres são emocionantes. Mas foram os dados foi o que me fizeram chorar. É difícil não sentir nada quando a gente compara o que realmente acontece na vida dessas pessoas com todo tipo de comentário e estereótipo, sempre muito cruéis, que se faz delas. Essa injustiça me deixou muito triste.
 


 
Mais sobre o With Friends Like These: Trocando Ideia Com Quem Pensa Diferente

Mais sobre o Science VS: Comida Orgânica Não Serve Para Nada

 

 


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Doe seu aniversário para a Revista AzMina!

E se ao invés de ganhar presente você apoiar o jornalismo feminista?

Ei, você! Você aí que curte o trabalho d’AzMina! Você que tem seu trabalho, sua vida, sua família, mas que a cada esquina encontra aquele pensamento: “eu preciso fazer algo contra o machismo”. Você só precisa fazer aniversário. Acreditar em algo custa, e fazer jornalismo com base no que a gente acredita custa também. Jornalismo independente depende de quem acredita esse projeto.

E se ao invés de ganhar mais uma blusinha que vai ficar esquecida no fundo do armário ou um pacote de meias da tia, você convidar seus amigos a converter seus presentes em doações para a Revista AzMina?

O dinheiro que a gente receber pelas suas velinhas vai ajudar a tirar do papel 12 grandes séries investigativas cujos temas vão da exploração sexual nas rodovias mineiras à realidade das mulheres nas Forças Armadas (o projeto completo está aqui). Interessou? Olha só como funciona:

Seu aniversário vai virar um crowdfunding – uma espécie de vaquinha virtual – na plataforma Juntos, nossa parceira nesse projeto, e vai ter uma página só dele! Todo o valor arrecadado vai ser diretamente direcionado para as bolsas de reportagens e, pra te agradecer pelo apoio, temos um presente especial pra você: um kit especial AzMina que inclui um livro “Você já é feminista”, um porta-lata d’AzMina e uma palestra de introdução ao feminismo com nossa equipe – além de espaço vitalício em nossos corações!

Mas a gente vai precisar de um esforcinho seu, porque ao contrário do que muita gente pensa, crowdfunding não é escrever um projeto, botá-lo no ar e esperar sentado. Crowdfunding é vestir a camisa de algo em que você acredita e contar pra todo mundo que você encontrar. Quanto mais você fizer os olhos das pessoas brilharem, maior será a arrecadação. A boa notícia é que é seu aniversário e todo mundo que gosta de você tá a fim de te fazer um agrado. É a fome agarradinha com a vontade de comer!

Animou? Aqui tem um exemplo pra te inspirar. Mas você é livre pra deixar o seu com a sua cara, ok? Olha o passo a passo:

  • No site da Juntos, faça o login ou crie um cadastro;
  • Entre em “enviar projetos”, lá no topo e preencha todos os campos;
  • Você vai precisar criar um título (seja direto!) e um texto curto em que explica porque esse projeto para o qual você está pedindo doações é importante. Você conhece seu público e suas motivações! Manda bala e arrasa!
  • Sugerimos uma meta mínima de R$ 800, mas o céu é o limite! É legal pensar em um número que seja desafiador, mas o tamanho e o poder aquisitivo das suas redes também são importantes aqui. Aniversariantes que baterem a meta vão ganhar o kit com livro, porta-lata e palestra (envio pra qualquer ponto do Brasil, palestra em São Paulo); Duração: 10 dias. Categoria: Direitos Humanos;
  • Clique em “salvar e continuar” e, na página seguinte, em “salvar”;
  • Agora você precisa inserir a URL do seu vídeo. Sim, vídeo! Pode ser gravado no celular mesmo. É que dá muito mais vontade de doar quando a gente vê a carinha do nosso amigo ou amiga, né? Por isso que o vídeo é tão importante!
  • Você também vai precisar inserir algumas imagens. No campo “parceiros do projeto”, não se esqueça de incluir o nosso logo, que você pode baixar aqui.
  • Terminou? Clique lá no topo em “enviar projeto para análise”. Na sequência copie e cole o link do seu projeto e mande para a Juntos no email mariacarolina@juntos.com.vc, pra que eles possam fazer a vinculação do seu crowdfunding com a arrecadação d’AzMina. Importante: o título do seu email deve ser “aniversário com AzMina”, e junto com o link você deve mandar a data de lançamento do seu crowdfunding (10 dias antes do seu aniversário ou da data em que pretende comemorar).

Pronto! Agora é só esperar o lançamento do seu crowdfunding pra espalhar para os amigos! Aproveite que você está com a faca e o queijo na mão e estimule a turma a tirar o escorpião do bolso!

A generosidade dos nossos doadores possibilita que a gente continue produzindo conteúdo aberto e gratuito para que pessoas que não podem pagar por informação também tenham acesso a um jornalismo de qualidade. AzMina agradece de coração e te deseja um feliz aniversário!

 

Esse texto é de autoria da Revista AzMina (www.azmina.com.br). A publicação permite a reprodução de seus conteúdos.

 


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A forma como lemos notícias não é saudável

Quando Trump ganhou as eleições, eu fiquei chocada. Claro que todo mundo também ficou chateado com a vitória dele. Mas eu fiquei cho-ca-da. Eu tinha certeza que ele ia perder. Quando vazou a conversa dele no ônibus falando sobre assédio contra mulheres eu fiquei certa de era o fim da trajetória dele. Comecei a dizer coisas como "ele vai perder feio e os negócios deles irão à falência". Nem preciso dizer que eu estava muito errada.
 
No livro, A Dieta da Informação, Clay Johnson defende uma ideia que explica “tragédias” como esta e outras mais. Para ele, o problema está na forma como consumimos informação. Temos muitos dados disponíveis, tudo está a uns poucos cliques. Mas não sabemos o que fazer com essa comodidade. A comparação de Johnson é com a alimentação.

Comemos demais, mas ingerimos produtos de baixa qualidade e não sabemos gerenciar nossa nutrição. Para Johnson, fazemos o mesmo com as notícias. Estamos nos entupindo de “reportagens” de má qualidade e de “fabricação” duvidosa.

Johnson resume assim os principais problemas na forma com que nos informamos:

  • Informações demais

  • Informações de má qualidade

  • Opiniões “disfarçadas” de fatos

  • Informações sobre apenas “um lado” 
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A bolha em que vivemos e o viés de confirmação

Eu não errei sobre Trump sozinha. Todos ao meu redor pensávamos o mesmo e nós alimentamos um ao outro com essa ideia. Isso fez com que nosso sentimento parecesse ser a verdade mais óbvia.
 
Acontece bastante, não é? Temos certeza sobre algo porque todo mundo está falando sobre isso. A época de eleições é sempre um bom exemplo.
 
Esse fenômeno se chama “bolha de filtro”. É uma área de influência no qual as pessoas consomem os mesmos tipos de informação, tem hábitos parecidos, etc, e têm pouco contato com outros grupos que agem diferente. Isso você já sabia, não é?
 
Até certo ponto, isso é normal. Não dá para abarcar todo o mundo e ler sobre absolutamente tudo que acontece na Terra. O problema é quando, especialmente na esfera política, o leitor começa a não mais se informar sobre algo, mas apenas a confirmar a mesma ideia de novo e de novo. Nós, naturalmente, preferimos afirmação ao invés de informação. E nem percebemos! Isso é inerente ao ser humano, mas pode ser bem perigoso.
 
É quando você já “sabe” que tal político, por exemplo, “não faz nada de bom” e só procura notícias que digam exatamente isso. Ou quando tem certeza de que tal partido é sempre certo, então só lê sobre como a legenda só faz coisas boas. Isso se chama viés de confirmação. É quando você lê tudo com a plaquinha do “Eu já sabia” levantada. Sem contar o quão irritados ficamos quando alguém mostra uma fonte contradizendo tal afirmação. É óbvio que só pode ser mentira...
 
Para Johnson, o perigo das piores dietas da alimentação acontece quando a bolha é pequena e o viés de confirmação é muito forte. E, mais ainda, quando o leitor não percebe o que está acontecendo. E, acredite, às vezes é bem difícil perceber isso - até quando você já sabe que isso acontece...
 
No caso da eleição de Trump, olha só a minha situação: todos que eu conhecia de verdade ou seguia na Internet estavam revoltados com a postura dele. Chimamanda Ngozi Adichie, uma das minhas escritoras favoritas, afirmou em um artigo como fato: "Hillary Clinton vai ser a próxima presidente dos Estados Unidos". Lin-Manuel Miranda, minha pessoa favorita, foi ao programa de TV Saturday Night Live cantar uma das frases icônicas do seu musical super icônico Hamilton e dedicá-la a Trump: "Never gonna be president now".
 
Então, como foi que ele ganhou se "todo mundo" estava contra ele? Ele ganhou porque mais ou menos 60 milhões de eleitores estavam a favor dele. Eu é que não sabia.
 
Vamos deixar de lado as questões políticas e econômicas que levaram a esse resultado e focar na questão da informação.
 
Clay Johnson fala bastante sobre como podemos consumir apenas um "lado" das notícias se não estivermos atentos. Ele até cita vários veículos que conservadores americanos certamente leem mas que liberais nunca checam e vice-versa.
 
Mas o mundo não é dividido ao meio e fatos são fatos independentemente dos nossos sentimentos. Não há duas versões deles. O problema aqui não é você ter um lado político ou ideológico - longe disso. É você perder de vista o que acontece na outra ponta. É passar a achar que é “um contra o outro”, que seu “time” está sempre certo quando o outro está sempre errado. É esquecer que o fato de acreditarmos em algo, termos determinada posição em algum tema, não torna "o outro lado" 100% errado - nem o seu 100% certo. E se dar conta disso é um exercício constante.
 
Existe um podcast maravilhoso chamado Mamilos que é ótimo para esse exercício. Nele, Cris Bartis e Juliana Wallauer trazem dois lados da moeda quando vão discutir sobre algum tema - e incentivam sempre a empatia e questionamento consciente. Vale conferir :)
 
O importante não é ser uma pessoa neutra em tudo, isso é impossível. Mas é não criar uma cegueira que o impeça de saber o que se passa em outras esferas que não só a sua.

Por que nos informamos mal?

O leitor pode passar horas por dia “se alimentando” de notícias e, ainda assim, ficar desnutrido.
Para Johnson existem algumas formas de se informar mal:
 
1 – Não saber a diferença entre informação e opinião: 
 
Ele cita vários programas de “notícia” americanos que são, na verdade, comentários tendenciosos (para um lado ou para o outro) disfarçados de informação. Acontece de várias notícias “convidarem” o leitor a pensar desta ou daquela forma. Isso é opinião. Será que conseguimos identificar os veículos brasileiros que fazem isso? Melhor, será que você consegue identificar, dentre os veículos que você consome, os que fazem isso?

2 – Consumir notícias feitas em “fábricas de posts”: 

Uma das partes do livro que mais me chocaram foi a sobre as “fábricas de posts”. São veículos da internet que pagam pouquíssimo para “jornalistas” escreverem o máximo possível por dia. Dez artigos diários até. Aí não importa qualidade, apuração, o que importa é a quantidade. E é claro que a veracidade vai pelas cucuias e os “click baits” se multiplicam. Para Johnson, consumir essas “notícias” é o mesmo que comer comida enlatada. É um negócio que enche, ocupa, mas não nutre em nada. Só nos dar a ilusão de estarmos bem informados.

3 – Ler informações muito distantes da fonte: 

É o famoso telefone sem fio. Você acaba vendo aquela informação super importante em um post do Facebook de um amigo que está repostando um blog que, por sua vez, está citando um site, que apurou em um estudo, que foi publicado em uma revista e assim por diante. Pode estar tudo certinho e o post do seu amigo pode ser bem útil, mas vamos admitir que as chances dessa corrente dar errado são muitas. Para Johnson, quanto mais perto da fonte melhor. Se a matéria cita um estudo da ONU, porque não checar esse documento diretamente? Se a reportagem indica uma estatística porque não verificar na própria instituição responsável?
 
Eu, particularmente, acrescentaria que Facebook não é lugar de ler notícias, ponto final. Isso sem nem comentar o quão forte é a sua bolha dentro da rede… (assunto que merece um texto só para ele).

Porque essa dieta não é saudável

Além de causar grandes decepções, como a minha com as eleições americanas, uma dieta pouco diversa, causa má informação. “Quanto menos uma decisão ou opinião é baseada em fatos, menos os fatos vão mudar essa decisão ou opinião”. (obs: nessa hora me deu vontade de jogar o livro na parede e sair correndo gritando que não há salvação).
 
Clay também fala que "Quanto mais informada uma pessoa, mais firmes se tornam suas crenças. Se elas estão ou não corretas, é uma questão totalmente diferente". Mas espera aí, isso não contradiz um pouco a informação anterior? Lembra do que falamos ali em cima sobre como nós buscamos mais afirmação do que informação? Uma quantidade grande de dados não significa, necessariamente, um vasto número de informações.
 
O que isso quer dizer? Quer dizer que o leitor se torna bitolado, cego. De tanto ouvir as mesmas coisas, aquilo se torna verdade. E aí, não importa se aquilo é fato ou opinião de alguém que você segue nas redes sociais. É verdade e pronto. E nem adianta querer discordar...
Sabemos escapar destas armadilhas?

No dia a dia, sabemos identificar os problemas que Johnson enumerou? Sabemos o que consumir e o que evitar nesse novo mundo de abundância de informações?
 
Compartilhamos uma pesquisa nas redes sociais perguntando como as pessoas consomem notícias. Fizemos 5 perguntinhas para tentar entender um pouco melhor como as pessoas lidam com o consumo de informação:

  • Onde você lê notícias? (Facebook, Twitter, Portais de notícias, blogs, etc?)
  • Você sempre lê notícias nos mesmos veículos ou costuma variar?
  • Você acha que a maioria das pessoas lê os mesmos veículos que você?
  • Você lê notícias de fontes pouco populares?
  • O que você faz para checar a veracidade das informações que você lê?

No geral, descobrimos que as pessoas consomem notícias em portais de notícia, blogs especializados e em redes sociais (Facebook sendo das mais citadas), e que costumam variar as fontes. Sobre consumirem notícias dos mesmos veículos, o resultado ficou meio dividido - embora o sim tenha tido uma margem um pouco maior.  As fontes populares não fizeram tanto sucesso e, buscar fontes confiáveis, foi o jeito mais citado de checar a veracidade das informações. 
 
Estes dados nos trazem perguntas importantes: o que é uma fonte pouco popular? O que é uma fonte confiável? 
 
Mas sabe qual o detalhe que não podemos deixar de notar com essa pesquisa? Ela representa o comportamento do consumo de informações… dentro da nossa bolha! Quase todas as pessoas que responderam a essa pesquisa receberam as perguntas através do Facebook (que tem a bolha particular dele). O quanto isso influencia?

E como seria uma boa Dieta da Informação?

Assim como uma alimentação variada é mais saudável, uma dieta de informações mais ampla faz bem para a nossa percepção de mundo.

  • Prefira informação ao invés de afirmação (é difícil, vai mexer com você, mas faça)
  • Preste atenção aos filtros e a sua bolha.
  • Seja consciente sobre o seu viés de confirmação.
  • Consuma notícia mais perto da fonte.
  • Consuma menos informação processada.
  • Fuja de informações de “fábrica de notícias” 

E aí, vamos nos informar de maneira mais saudável?


Referências legais:
 
O escritor e youtuber John Green explica como adotou uma dieta de informação mais saudável diminuindo a quantidade e melhorando a qualidade das notícias que ele consome.
 
Yuval Harari, historiador e autor do best-seller Sapiens, fala sobre como ainda não sabemos como lidar com o excesso de informação.
 
A escritora Chimamanda Ngozi Adichie mostra, em palestra do TED, os perigos de ouvir apenas um lado.
 
Jeff Jarvis, jornalista e professor, resume a história toda em um artigo bem entitulado “Qualidade ao invés de porcaria”.  

 Cris Bartis e Juliana Wallauer comandam os debates no podcast Mamilos.
 
Editor da revista Superinteressante fala sobre essa questão de ir direto à fonte ao invés de ler interpretações sobre o assunto. 


Esse artigo foi produzido em dupla. Depois de lermos o mesmo livro e termos os mesmos insights e preocupações, eu e Andreza percebemos que tínhamos que escrever sobre o assunto.

Sobre as autoras:

 

Andreza Mendes

Suzana Valença

Sou designer especializada em mídias digitais. Trabalho ajudando empresas e pessoas a se comunicarem melhor utilizando a internet. Também sou professora de Marketing Digital. No tempo livre, gosto de ler (conhece o @3girlsabunchofbooks?), assistir filmes, séries e documentários e viajar (não necessariamente nesta ordem). Sou jornalista especializada em mídias digitais. Trabalho criando conteúdo para a internet e ajudando meus clientes a se comunicarem com seus públicos. Quando não estou nerdando profissionalmente, estou lendo, ouvindo música ou vendo série do Netflix. Ou seja, nerdando por lazer.
 

 


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Fundador do Twitter acha que “a internet está quebrada”

“Eu achava que, uma vez que todos pudessem falar livremente e trocar informações e ideias, o mundo seria, automaticamente, um lugar melhor. Mas eu estava errado”.

Esse depoimento decepcionado vem do fundador do Twitter Evan Williams.
 
Em uma matéria maravilhosa do New York Times, Williams fala sobre como anos empreendendo em plataformas de conteúdo na internet o levaram a repensar a forma como usamos essas ferramentas. 
 
Ele compartilha duas preocupações sobre as quais já falamos por aqui:

O fantástico mundo do conteúdo de qualidade (ele existe?)

A balança de Williams está pendendo para as alternativas mais negativas nas perguntas acima. “A internet está quebrada”.
 
Mas, se criar uma rede no qual pessoas de todo o mundo pudessem dialogar entre si de forma rápida e amigável não era o suficiente para melhorar a comunicação da humanidade na internet, qual śeria o próximo passo?
 
A solução (comercial, pelo menos) de Williams, foi se afastar do Twitter e criar uma plataforma de conteúdo na internet que crescesse e lucrasse baseada na qualidade do material postado. 
Qualidade. Não anúncios, clickbaits, fofocas ou sensacionalismo.
 
Para isso, ele fundou o Medium.


Deu certo? A resposta é um “veja bem…”

O Medium é uma plataforma bonita, fácil de usar, e, até agora, tem reunido bons conteúdos e autores interessantes. Agora, dá lucro? Não sabemos, mas, no início do ano, a empresa teve que demitir vários funcionários para enxugar as operações e, segundo divulgou, focar em outra forma de atuação. O Medium acrescentou também opções premium para um público pagante.
 
Para Williams, não tem como gerar, curar, ou gerenciar conteúdo de qualidade se a renda para esses serviços não vier do consumidor.

“O sistema baseado em anúncios recompensa apenas o que atrai a atenção. Anúncios não conseguem recompensar a resposta correta. Mas o sistema pago pelo consumidor sim. Os consumidores recompensam a qualidade. A solução é inevitável: as pessoas terão que pagar por conteúdo de qualidade”.


Conteúdo pago é a resposta? 

Eu, particularmente, acho que sim. E estou na torcida para que Evan Williams (e outros!) tenham sucesso nessa missão de unir lucro com qualidade. 
 
O que vocês acham?

Imagem: New York Times

 


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Trocando ideia com quem pensa diferente

Por que, às vezes, parece ser tão difícil conversar com as pessoas? Por que o que é tão óbvio para a gente não faz sentido para o outro? Parece que, com tanta ferramenta de comunicação no mundo, ficamos mais distantes porque ninguém mais sabe dialogar.

Eu que trabalho com mídia fico extremamente angustiada em perceber que nossas conversas online, que poderiam ser tão interessantes, acabam virando só briguinha do Facebook. E sempre penso sobre como essa falta de diálogo afeta nossa forma de entender e agir sobre as notícias que lemos.

Vocês também têm essa angústia?

Há algum tempo fiquei feliz em encontrar um bom antídoto para esse sentimento. Eu achei um podcast lindo que quero recomendar para todo mundo, o With Friends Like These. A ideia deles é exatamente colocar “opostos” para conversarem, mas não em um debate daqueles que logo viram um barraco. Em cada episódio eles ouvem um ponto vista individualmente e buscam, de verdade, dar espaço e compreender.
(Coloquei opostos entre aspas porque diferentes não são necessariamente um contra o outro, não é mesmo?)

No primeiro episódio, a apresentadora do podcast, Ana Marie Cox, uma jornalista branca liberal, conversa com um pastor conservador sobre a eleição de Trump. A missão não é falar mal do presidente dos EUA (essa seria a parte fácil), mas ouvir e entender os motivos que levaram o religioso e a sua comunidade a elegerem o candidato republicano. 

É um podcast difícil de ouvir, às vezes, e força o intelecto a sair da zona de conforto.

Num outro episódio, Cox entrevista um jornalista negro e discute questões raciais. No mais recente, e o meu favorito, o podcast conversa (e ouve!) um homem gay que atua na igreja protestante sobre como ele concilia as duas coisas. 

Os programas são sempre interessantes, Cox é uma mulher super inteligente e a ideia de dialogar com o diferente rende ótimos aprendizados. Recomendo.

Mais sobre diferenças: 
Nossas Múltiplas Identidades 
Mais sobre rótulos e preconceitos
Como brigar na internet
 

 


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Nossas múltiplas identidades

Para Johnnetta Cole, a diretora do  Museu Nacional de Arte Afro Americana, “nosso mundo seria muitíssimo melhor se nós pensássemos e interagíssemos uns com os outros em termos das nossas múltiplas identidades”.

As múltiplas identidades ser humano.

O que ela detalha é que estamos muito acostumados a rotular os outros e a tentarmos, nós mesmos, nos encaixar em padrões. Até certo ponto, isso é normal. Mas é muito mais correto e interessante vermos uns aos outros como mais do que só uma ou outra identidade.

O post sobre o depoimento dela que estava aqui no blog foi parar na revista Trendr. Em abril, a publicação está reunindo artigos de vários autores para discutir o tema #VivaADiferença. Checa lá! Além do meu próprio texto, recomendo conferir as outras produções do mês. Tem muita ideia legal por lá. 
 

 


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3 resultados de uma boa comunicação

Uma empresa pode se beneficiar de uma comunicação eficiente de diferentes maneiras. Entretanto, todos os resultados positivos podem ser agrupados em três tipos principais: vendas, reputação ou engajamento.

Como a comunicação pode ajudar uma empresa?

A primeira forma no qual a comunicação pode ser usada para gerar resultados para uma empresa ou profissional é, talvez, a mais óbvia: a geração de vendas.  Claro que todo negócio vive de lucro e, no final das contas, todos os diferentes setores de uma companhia estão voltados para vender ou dar apoio à atividade de vendas. Falando assim até parece algo extremamente seco e oportunista. Mas não é. Aí é que entra uma boa estratégia de comunicação. Com o tom correto e o diálogo aberto, a comunicação para vendas pode gerar resultados bem interessantes com os consumidores. 

Outra forma é a comunicação para fortalecer a reputação de uma marca ou um profissional. Muito marketing de conteúdo tem sido pensado dentro desta demanda. Neste caso, o objetivo principal é estabelecer a empresa ou pessoa como especialista em sua área, como ator importante do mercado e como referências em seu setor de atuação. Uma boa forma de se fazer isso é compartilhando e produzindo conteúdo relevante. Aí, mais uma vez, uma estratégia de comunicação bem bolada fará toda diferença.

A terceira forma de um negócio se beneficiar de um trabalho de comunicação é aumentando o engajamento com os clientes. Isso não quer dizer apenas ter vários seguidores no Facebook. Mas sim, ter diferentes canais para conversar com o cliente e atende-lo da melhor forma possível. É ter uma estratégia para trazer o consumidor para perto da marca e habilitá-lo a fazer parte do negócio, de certa forma, participando das ações, usando as plataformas da empresa para trocar ideias, recomendando os produtos para amigos e assim por diante.

Recapitulando, em resumo, a estratégia de comunicação pode ajudar uma empresa das seguintes formas:
•    Comunicação para alavancar vendas
•    Comunicação para fortalecer a reputação da marca ou profissional
•    Comunicação para aumentar o engajamento do cliente

(Um quarto caso seria o gerenciamento de crise, que é comunicação que as companhias precisam fazer em caso de problemas. Mas não vamos explorar esse tema aqui).

Como escolher a comunicação para a empresa

Esses são os três possíveis resultados positivos que a comunicação externa (ou seja, a conversa com os clientes e comunidade) pode trazer. Não dá para atirar para todos os lados, é preciso avaliar e escolher quais destes três caminhos é o mais relevante para a filosofia e o momento da empresa. Algumas recomendações podem ajudar a guiar essa escolha.

Comunicação para vendas é ideal para: 
•    Negócios iniciantes que precisam se apresentar ao mercado.
•    Empresas que querem aumentar a saída de um produto.
•    Negócios que estejam lançando uma nova solução.
•    Empreendimentos inovadores que precisam explicar como funcionam para o público.

Comunicação para reputação é ideal para:
•    Especialistas como psicólogos, consultores, palestrantes e demais profissionais que vendem serviços intelectuais.
•    Profissionais que são sua própria marca.
•    Empresas que desenvolvem serviços especializados.
•    ONGs e instituições que contam com a reputação para gerar receita.

Comunicação para engajamento é ideal para:
•    Empresas que são escolhidas pelo cliente de acordo com o relacionamento que ele tem com a marca. Por exemplo, lojas, restaurantes, clubes ou cafeterias.


Abaixo, um resumo de como eu trabalho dentro destes três resultados possíveis e como as ferramentas de comunicação devem se encaixar na estratégia adotada.
 

Imagem: Canva

Apresentação: Marcelo Valença 

 


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