Experimentos sociais em São Francisco

Fui para São Francisco no começo do ano e um dos passeios mais legais que fiz por lá foi a ida ao Exploratorium. O lugar é um museu de ciências interativo enorme e cheio de experimentos para adultos e crianças brincarem.

Eu brinquei muito. E uma das partes que eu mais gostei foi o espaço dedicado às interações sociais. As instalações convidavam os visitantes a experimentá-las sozinho, em dupla ou em grupo e cada uma investigava uma faceta do homem como o bom e velho “animal social”.

Logo na entrada havia a “mesa do pegue e leve”, que era isso mesmo. Você deixava algo lá e pegava algo que alguém tinha deixado lá antes. Eu deixei uma palheta e peguei um prendedor de cabelo. Foi bom, né?

Em um canto havia um suporte para você encaixar a cabeça e olhar seu rosto num espelho. Só que entre você e o reflexo havia uma lâmina de vidro com uma gota de água escorrendo. Então, você tinha a ilusão, ao olhar no espelho, de ser ver chorando. Mesmo sabendo que era montagem, o sentimento foi estranho.

O bebedor só funcionava se você selecionasse a mesma opção que sua dupla. As alternativas eram: deixar o outro beber água ou lançar um jato na cara da pessoa. Sim, você escolhia o que ia acontecer com o seu amigo, não com você! Em outra parte, o visitante tinha que assistir a um vídeo de uma pessoa bocejando ou gargalhando e tentar não fazer o mesmo (impossível).

No centro de tudo, um placar enorme mostrava que time estava ganhando, o azul ou o vermelho, com o resultado sempre mudando rápido. Brincando, estava um grupo enorme de adolescentes, gritando a cada ponto. Mas qual era o objetivo do jogo? Nenhum. Era só apertar um botão bem rápido. A ideia era mostrar que criamos noção de time e de competitividade quase instantaneamente ao sermos separados em grupos.

Um dos mais incríveis era bem simples. Você fazia uma pergunta na sua cabeça e apertava OK para dar play em um vídeo gravado anteriormente com alguém dizendo “sim” ou “não”. Fiz um pergunta bem importante, dei play, e um cara bem sério apareceu na tela dizendo “não, de jeito nenhum”. Não gostei nem um pouquinho!!! E essa era a ideia do experimento. Mesmo a gente sabendo que não significa nada, que o negócio é gravado e que ninguém ouviu a sua pergunta, é impossível não sentir algo. Seres humanos sempre reagem à reação do outro. Só saí de lá quando uma mocinha bem feliz apareceu dizendo “claro que sim!”. Ufa!

Quando a gente já estava saindo desta parte do museu, passamos de novo nesse experimento e eu não pude deixar de notar uma adolescente participando. Ela também ficou bem impactada com o que ouviu. A coitada deu vários passos para trás e para longe do vídeo, colocando as duas mãos no rosto e gritando “oh my God!!!!”

 


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