O que podemos aprender sobre comunicação com o módulo que pousou num cometa

Nós, a humanidade, estamos nos despedindo de Philae, o primeiro equipamento “terráqueo” a conseguir pousar em um cometa. O módulo, que enfrentou vários problemas desde o início da missão, entrou em “hibernação eterna”, como disse a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), e não vai mais enviar dados. Aqui da Terra, leigos e estudiosos puderam acompanhar essa história toda pela internet de uma forma bem simples e até divertida, graças ao bom trabalho de comunicação da ESA e do Centro Aeroespacial Alemão.

A primeira personagem desta história é a sonda Rosetta. Ela foi lançada ao espaço em março de 2014 e começou sua missão, dez anos depois, em 2014. O trabalho dela é coletar dados do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, mais conhecido na internet como #67P. A ESA decidiu abrir um perfil no Twitter para a sonda como se ela fosse uma pessoa, um cientista viajando pelo espaço. Na conta, as postagens são em primeira pessoa e já contam com 365 mil seguidores.

As atualizações, mostrando o progresso da missão, são acompanhadas das hashtags como #livingwithacomet ou #cometwatch, e tendem a ser simples, voltadas para leigos tuiteiros que se interessam por ciência.

Depois de um tempo de missão, Rosetta despachou o módulo de aterrisagem Philae que, por sua vez, teve o trabalho de pousar no cometa 67P e enviar dados de lá para a sonda. Ele (sim, o novo equipamento é um “ele”) também ganhou sua própria conta “pessoal” no Twitter, hoje, com 456 mil seguidores. Com a adição na “equipe”, Rosetta assumiu o papel de sonda “mãe” e Philae é o módulo “filhinho”. E aí a comunicação deles ficou ainda mais interessante para nós aqui na Terra.

Quem acompanhou lembra como foi dramático o pouso de Philae. Em novembro de 2014, a sonda partiu para a missão. Na descida no cometa, deu tudo errado. Philae não parou onde devia e acabou quicando na superfície até, finalmente, parar em um ponto. O local não era o escolhido pela equipe e não recebia luz solar o suficiente. Por um tempo, os cientistas não tiveram nenhuma notícia de Philae.

Dá para imaginar como a mãe dele ficou preocupada? Pelo Twitter, acompanhamos tudo pela hashtag #CometLanding, um trending topic mundial naquele dia. No final, deu certo. Philae conseguiu sobreviver ao pouso atrapalhado e começou a enviar dados sobre o cometa para a sonda mãe. E todos nós tuiteiros pudemos respirar aliviados.

Agora, a conversa entre Philae e Rosetta no Twitter chegou ao fim. Depois de tantos transtornos, o módulo finalmente ficou sem energia para enviar mais dados. Como acabou estacionando em um local com pouca luz do sol, as baterias de Philae não puderam ser recarregadas como previsto. Há sete meses os cientistas esperam alguma notícia, mas ele não consegue mais se comunicar. Na última semana, a ESA anunciou que não há mais esperanças de fazer contato com Philae.

Rosetta ficou bem triste.

E nós tuiteiros também!

Mas a ação de comunicação da Agência Espacial Europeia deixou um ótimo case de popularização da ciência.

 

 

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