Abaixo os rótulos

O termo “polarização” está sendo muito discutido. Aqui no Brasil, nos EUA, na Inglaterra. Isso porque, em comum, temos o fato de estarmos vivendo momentos políticos digamos… peculiares.

Quero discutir o assunto mais aprofundadamente. Mas, por enquanto, gostaria de compartilhar com vocês uma explicação fantástica que ouvi sobre o conceito de identidade. Às vezes, sentimos a necessidade de caber em uma caixa, de ter um rótulo. Isso, até certo ponto, é normal. Todo mundo quer pertencer. O problema acontece quando nos entrincheiramos na nossa identidade em oposição aos “outros”. Aí vira aquele cenário de “nós” contra “eles”. Isso é muito nocivo. Não há comunicação que sobreviva.

A diretora do Museu Nacional de Arte Afro Americana, Johnnetta Cole, falou ao podcast do Smithsonian Side Door sobre a ideia de identidade e sobre como ela é muito mais ampla do que percebemos no dia a dia. 

“Quando usamos a palavra identidade, acho que normalmente achamos que estamos comunicando a seguinte ideia: identidade é quem eu sou. Mas devo dizer que, como uma antropóloga, diretora de museu, e como ser humano, eu tenho problemas em aceitar identidade como um termo no singular. Eu acho que esse nosso mundo seria muitíssimo melhor se nós pensássemos e interagíssemos uns com os outros em termos das nossas múltiplas identidades. Pense no que está acontecendo no mundo, toda essa polarização, esse insistência de algumas pessoas não deveriam estar aqui, que outras não são boas o suficiente para estarem lá. Então nós estamos caracterizando as pessoas usando o singular. Ele é um negro. Ela é uma muçulmana. Só que todos nós, embora temos uma identidade primária, aquela que pensamos sobre nós mesmos mais frequentemente ou com mais força, somos uma soma de várias identidades

"Eu acho que esse nosso mundo seria muitíssimo melhor se nós pensássemos e interagíssemos uns com os outros em termos das nossas múltiplas identidades" Johnnetta Cole

"Eu acho que esse nosso mundo seria muitíssimo melhor se nós pensássemos e interagíssemos uns com os outros em termos das nossas múltiplas identidades" Johnnetta Cole

Cole usa a própria vida como exemplo.

“Eu sou uma mulher negra americana. Em termos de classe social, provavelmente devo dizer, classe média alta. Em termos de orientação sexual, sou heterossexual. Em termos de necessidades especiais, vai depender do comportamento do meu joelho para eu dizer que tenho mobilidade total. Em termos de religião, idade, nacionalidade, todas essas identidades se unem. Mas sabe, eu tenho outras identidades. Sou uma mãe, uma avó, uma esposa, uma colega de trabalho. Eu posso ser vitimizada por ser negra, ou por ser uma mulher, ou os dois. Mas eu também posso dizer que todas as minhas identidades incluem ser heterossexual, então eu poderia, por outro lado, vitimizar alguém por conta da orientação sexual delas”.

Para ela, o importante é sabermos que os rótulos não fazem sentido. E basearmos nossas comunicações nessas noções fechadas só prejudica nossa compreensão do mundo e das outras pessoas.

“Quando nos tornamos mais conscientes e entendemos melhor a centralidade da identidade e como identidades retratam quem nós somos, nós podemos fazer uma grande contribuição em prol de lidarmos com um dos maiores problemas em nosso mundo. Eles se chamam: preconceito e discriminação”. 

Fantástico!

 


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