#livro

O cara que leu Guerra e Paz no celular

Semanas atrás falei sobre a minha impressão de que ninguém lia mais nada. A desculpa que eu havia encontrado na internet era que as distrações digitais estavam roubando nosso tempo com os livros. Conversando com gente legal e sabida sobre o assunto, percebi que estamos mesmo com dificuldade para ler, mas que ainda gostamos muito do bom e velho livro de papel.

Eis que hoje, encontrei esse artigo fabuloso do maluco (só pode ser) que resolveu desafiar tudo isso. Clive Thompson decidiu experimentar ler Guerra e Paz, um livro igualmente famoso e longo, todinho no celular. A ideia dele era testar se a leitura online é mais fácil ou mais difícil (e mais ou menos prazerosa) que a leitura no papel, além de verificar se as inúmeras distrações da internet iam atrapalhar demais o objetivo dele.

O resultado?

1 - Não teve jeito... Ele ficou multitasking enquanto lia. Mas era abrindo páginas do Wikipédia para pesquisar figuras históricas russas. Não era algo que o distraía da leitura, mas sim, ajudava na compreensão do livro.

2 - Mesmo assim... para completar a missão, Thompson deve que desativar todas as notificações do celular.

3 - Mas… Thompson descobriu que não são os alertas que nos desconcentram, somos nós mesmos. Quem nunca perdeu horas no celular mesmo sem ele ter apitado nada?

4 - Pesquisando… Thompson leu que essa reclamação sobre não conseguir se concentrar é muito antiga e nada exclusiva da nossa geração.

5 - Ok, mas… Ler no celular funcionou, mas nosso heroi continuou muito fã do formato impresso.  

6 - E o mais importante… Ele simplesmente descobriu que: se o livro é bom, você vai ler ele. Independentemente do formato ou das distrações. “O livro se torna a distração, aquela coisa com que o seu cérebro tanto precisa se engajar. Pare de checar o email e o Twitter! Você tem um livro para ler!”.

Depois do experimento com Guerra e Paz, Thompson adquiriu o hábito de ler no celular e já devorou outros clássicos na telinha. Mas não deixou de comprar livros contemporâneos na livraria pequena do seu bairro. No final, tem espaço para todos os formatos quando o leitor gosta de experimentar e de (adivinha?) ler.

O artigo todo de Clive Thompson está aqui. É muito bom!

Recentemente, escrevi alguns textos que se relacionam com o experimento dele e com as minhas leituras:

Dá para passar menos tempo e ser mais produtivo no Facebook 

Niguém lê mais nada?

Dicas de livros para quem trabalha com mídias digitais

Dicas de livros para quem quer entender as mídias digitais

Entrevista com uma das escritoras que mais vende ebook no Brasil
 

O que vocês estão lendo? É impresso ou digital? Qual formato vocês preferem?

[Imagem: Guerra e Paz de Cândido Portinari]

 


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“Ser criativo é experimentar. Mesmo fazendo careta”

Estou preparando uma pauta bem legal sobre o lançamento de um livro editado pela minha amiga Karla Vidal. A obra abre uma série chamada de Professor Criativo, que fala (claro) de educação, criatividade e tecnologia. A matéria está quase pronta e será publicada aqui, aguardem só mais um pouquinho.

Na tarefa de editar esse texto, topei com esse depoimento muito legal sobre criatividade que eu resolvi “adiantar” por aqui. A fala é da pesquisadora Leila Ribeiro, uma das pesquisadoras envolvidas no estudo.

“Educador criativo é aquele que não tem medo de conhecer, não se esquiva do novo, questiona o que todo mundo segue sem questionar e experimenta, mesmo fazendo caretas. Ser criativo não é um dom, muito menos um conceito de “ser artista”. Ser criativo é pensar diferente do igual, é tentar outras maneiras, mesmo que pareça existir apenas uma. Ser curioso é essencial para o professor criativo. Sempre faço uma analogia com Alice no País das Maravilhas: ela não tinha medo do que via e tudo era completamente fora do convencional. Alice era uma exploradora, não havia perigos ou príncipes para salvá-la, só havia um mundo incrível para ser desbravado e conhecido por ela”.

Muito bom, não é?

 


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