Comunicação

Trocando ideia com quem pensa diferente

Por que, às vezes, parece ser tão difícil conversar com as pessoas? Por que o que é tão óbvio para a gente não faz sentido para o outro? Parece que, com tanta ferramenta de comunicação no mundo, ficamos mais distantes porque ninguém mais sabe dialogar.

Eu que trabalho com mídia fico extremamente angustiada em perceber que nossas conversas online, que poderiam ser tão interessantes, acabam virando só briguinha do Facebook. E sempre penso sobre como essa falta de diálogo afeta nossa forma de entender e agir sobre as notícias que lemos.

Vocês também têm essa angústia?

Há algum tempo fiquei feliz em encontrar um bom antídoto para esse sentimento. Eu achei um podcast lindo que quero recomendar para todo mundo, o With Friends Like These. A ideia deles é exatamente colocar “opostos” para conversarem, mas não em um debate daqueles que logo viram um barraco. Em cada episódio eles ouvem um ponto vista individualmente e buscam, de verdade, dar espaço e compreender.
(Coloquei opostos entre aspas porque diferentes não são necessariamente um contra o outro, não é mesmo?)

No primeiro episódio, a apresentadora do podcast, Ana Marie Cox, uma jornalista branca liberal, conversa com um pastor conservador sobre a eleição de Trump. A missão não é falar mal do presidente dos EUA (essa seria a parte fácil), mas ouvir e entender os motivos que levaram o religioso e a sua comunidade a elegerem o candidato republicano. 

É um podcast difícil de ouvir, às vezes, e força o intelecto a sair da zona de conforto.

Num outro episódio, Cox entrevista um jornalista negro e discute questões raciais. No mais recente, e o meu favorito, o podcast conversa (e ouve!) um homem gay que atua na igreja protestante sobre como ele concilia as duas coisas. 

Os programas são sempre interessantes, Cox é uma mulher super inteligente e a ideia de dialogar com o diferente rende ótimos aprendizados. Recomendo.

Mais sobre diferenças: 
Nossas Múltiplas Identidades 
Mais sobre rótulos e preconceitos
Como brigar na internet
 

 


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Mais sobre rótulos e preconceito

"Mãe, você notou que os nossos posts estão combinandinho?"

Há algumas semanas, minha mãe publicou uma crônica sobre preconceito contra nordestino no blog dela. No mesmo dia, eu havia publicado esse texto aqui sobre o conceito de identidade e como rótulos dificultam qualquer comunicação. Quando percebi a coincidência mandei a mensagem acima para ela.

Aí ela resolveu cruzar as duas referências e escreveu sobre os perigos do "nós x eles" e como o mundo pede mais inteligência e tolerância.

Não é porque é minha mãe não mas, olha, ficou muito bom. 

 


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Comida orgânica não serve para nada. (um post sobre podcast)

Ouvindo o podcast Science VS, aprendi que os supostos benefícios da comida orgânica (evitar o câncer sendo o principal deles) não foram comprovados cientificamente ainda.

Mas eu nunca fui uma grande defensora ou detratora desse tipo de alimento. Então o título aí é só para chamar atenção. O que eu quero mesmo é falar sobre o podcast

No Science VS, a jornalista Wendy Zuckerman escolhe um “fato” conhecido e vai atrás de evidências científicas para confirmá-lo. Ou não. A última temporada discutiu comida orgânica, controle de armas, hipnose, ponto G, e outros. Os programas têm um toque de humor, mas usa ciência de verdade e a edição é muito interessante. 

Wendy Zuckerman

Wendy Zuckerman

Recomendo muito! 

 


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O que podemos aprender sobre comunicação com o módulo que pousou num cometa

Nós, a humanidade, estamos nos despedindo de Philae, o primeiro equipamento “terráqueo” a conseguir pousar em um cometa. O módulo, que enfrentou vários problemas desde o início da missão, entrou em “hibernação eterna”, como disse a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), e não vai mais enviar dados. Aqui da Terra, leigos e estudiosos puderam acompanhar essa história toda pela internet de uma forma bem simples e até divertida, graças ao bom trabalho de comunicação da ESA e do Centro Aeroespacial Alemão.

A primeira personagem desta história é a sonda Rosetta. Ela foi lançada ao espaço em março de 2014 e começou sua missão, dez anos depois, em 2014. O trabalho dela é coletar dados do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, mais conhecido na internet como #67P. A ESA decidiu abrir um perfil no Twitter para a sonda como se ela fosse uma pessoa, um cientista viajando pelo espaço. Na conta, as postagens são em primeira pessoa e já contam com 365 mil seguidores.

As atualizações, mostrando o progresso da missão, são acompanhadas das hashtags como #livingwithacomet ou #cometwatch, e tendem a ser simples, voltadas para leigos tuiteiros que se interessam por ciência.

Depois de um tempo de missão, Rosetta despachou o módulo de aterrisagem Philae que, por sua vez, teve o trabalho de pousar no cometa 67P e enviar dados de lá para a sonda. Ele (sim, o novo equipamento é um “ele”) também ganhou sua própria conta “pessoal” no Twitter, hoje, com 456 mil seguidores. Com a adição na “equipe”, Rosetta assumiu o papel de sonda “mãe” e Philae é o módulo “filhinho”. E aí a comunicação deles ficou ainda mais interessante para nós aqui na Terra.

Quem acompanhou lembra como foi dramático o pouso de Philae. Em novembro de 2014, a sonda partiu para a missão. Na descida no cometa, deu tudo errado. Philae não parou onde devia e acabou quicando na superfície até, finalmente, parar em um ponto. O local não era o escolhido pela equipe e não recebia luz solar o suficiente. Por um tempo, os cientistas não tiveram nenhuma notícia de Philae.

Dá para imaginar como a mãe dele ficou preocupada? Pelo Twitter, acompanhamos tudo pela hashtag #CometLanding, um trending topic mundial naquele dia. No final, deu certo. Philae conseguiu sobreviver ao pouso atrapalhado e começou a enviar dados sobre o cometa para a sonda mãe. E todos nós tuiteiros pudemos respirar aliviados.

Agora, a conversa entre Philae e Rosetta no Twitter chegou ao fim. Depois de tantos transtornos, o módulo finalmente ficou sem energia para enviar mais dados. Como acabou estacionando em um local com pouca luz do sol, as baterias de Philae não puderam ser recarregadas como previsto. Há sete meses os cientistas esperam alguma notícia, mas ele não consegue mais se comunicar. Na última semana, a ESA anunciou que não há mais esperanças de fazer contato com Philae.

Rosetta ficou bem triste.

E nós tuiteiros também!

Mas a ação de comunicação da Agência Espacial Europeia deixou um ótimo case de popularização da ciência.

 

 

[Clica lá no título para curtir e comentar, vai!]

 

 


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