RedesSociais

Whatsapp não é lugar para ler notícias

Hoje estourou a notícia de que um grupo de empresários comprou pacotes de disparos em massa pelo WhatsApp contra o PT. Como diz a reportagem da Folha de São Paulo, “a prática é ilegal, pois se trata de doação de campanha por empresas, vetada pela legislação eleitoral, e não declarada". Essa informação é mais uma confirmação do nós já sabíamos: WhatsApp não é veículo de notícia.

No aplicativo é onde encontram-se a maior parte das informações falsas. Para o IJNet, informativo da rede internacional de jornalistas, Tai Nalon, que é diretora e cofundadora da plataforma de fact-checking Aos Fatos, disse: “temos no Brasil uma cultura de comunicação por mensageiros como WhatsApp por meio dos quais alimenta-se boatos de toda sorte. É impossível saber, pela natureza dessas ferramentas, quantas pessoas foram expostas à desinformação e quanto material de origem duvidosa existe ali.”

Com as eleições, o problema ficou pior. Em matéria da Vice Brasil, Francisco Brito Cruz, diretor do InternetLab, centro de pesquisa em Internet e direito, diz: “Bolsonaro começou essa campanha faz muito tempo. Muitos desses grupos de WhatsApp, muitas das páginas de apoio a ele estão no ar há anos. A distribuição parece ser feita por voluntários, mas a produção de conteúdo tem estratégia, segue um caminho claro, as mensagens estão ali. Isso tem cara de campanha”.

Com o uso mais forte do aplicativo para fins eleitorais, vieram também as fake news. A Folha mostrou um estudo em conjunto da USP, UFMG e da Agência Lupa que analisou o grau de veracidade de 50 imagens que mais circularam em grupos de WhatsApp entre os dias 16 de agosto e 7 de outubro de 2018, período de campanha do primeiro turno das eleições. Segundo o levantamento, apenas quatro imagens eram verdadeiras.

Assustador, não é?

O WhatsApp é uma maravilha para se comunicar com o grupo de amigos, para falar com as pessoas sem pagar ligações e, no meu caso, para saber as novidades da minha amiga que se mudou para a Inglaterra e receber fotos dos meus sobrinhos lindos que moram no Rio e em São Paulo. Vamos usar a ferramenta só para isso mesmo, combinado?

 


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O que é fake news segundo o Facebook 

Recentemente, o Facebook divulgou um vídeo mostrando o trabalho da equipe contratada pela empresa para combater as fake news e as páginas falsas na plataforma. O esforço ainda está no começo mas, as bases técnicas para as ações já foram definidas e parecem bem interessantes. Um destaque é como o Facebook define fake news.

Para começo de conversa, os funcionários que aparecem na divulgação evitam o termo “fake news”. Eles falam de “notícias falsas”, “informação errada” ou “desinformação”. Muitos veículos têm feito o mesmo, já que o termo passou a ser usado para atacar a imprensa. A empresa admite que há muito conteúdo que pode ser encaixado nesses rótulos e que determinar o que é ou não “falso” é muito difícil. 

Os quatro tipo de posts de acordo com veracidade e intenção

Eduardo Arino de la Rubia, gerente de ciências de dados do Facebook, explica essa dificuldade no vídeo. Ele mostra o problema usando um gráfico onde, no eixo horizontal temos o nível de verdade de uma informação e, no vertical, temos uma escala da intenção de enganar. No cruzamento dos dois elementos, os dados e a motivação, vamos encontrar a medida de quão perniciosa é a postagem. Ele divide esse gráfico em quatro. 

A parte de baixo é a mais tranquila. No canto inferior esquerdo temos post com pouca verdade, mas também, pouca intenção de enganar. “Isso é só estar errado na internet, acontece”. No canto inferior direito, estão as postagens com informações bastante corretas e com baixa motivação de enganar. “Espero que aconteça um dia”, brinca Rubia.

É na parte de cima que a coisa fica feia, pois há intenção de enganar ou, no mínimo, de confundir. 

O canto superior direito tem posts com muita verdade, mas também, muita intenção de levar o leitor a uma certa conclusão. Atenção: não é notícia falsa. É informação manipulada. “É propaganda”, diz Rubia. Um bom exemplo dessa situação são postagens com dados estatísticos corretos, mas tirados de contexto para induzir o leitor a uma determinada interpretação. 

E então, a pior parte. O quadrante superior esquerdo, onde estão os posts com pouca verdade e muita intenção de enganar. Estas são as “notícias falsas” propriamente ditas. “Esses são os conteúdos pensados para serem virais, são as mentiras fabricadas”, explica Rubia.

Combatendo as notícias falsas

No vídeo, o gerente de dados, diz que o Facebook tem que acertar no combate a esse último tipo de post. O restante, para ele, estaria no campo da liberdade de expressão, uma área na qual a rede social não quer entrar. Isto porque o Facebook luta para manter o status de plataforma neutra. A filosofia é que não cabe à gigante controlar o que é postado, apenas oferecer o espaço e deixar que os consumidores decidam por si. O Facebook está agindo e mostrando (um pouco) o que eles estão combatendo e o que estão “deixando passar”. O resto, é com a gente.
 

 


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Não leia apenas o conteúdo mais popular

No meio do escândalo da “mineração” de dados do Facebook pela Cambridge Analytica, uma resposta comum foi #DeleteFacebook. Eu discordo. Mas acho que temos que mudar radicalmente nosso relacionamento com a rede de Mark Zuckerberg. Acho que precisamos sair da armadilha do conteúdo popular.  

(Descrição da imagem: Homem jovem usa o computador. Atrás dele, o fundo da imagem mostra os ícones de diferentes redes sociais como Twitter, Facebook e YouTube)

Facebook (e 99% das outras ferramentas de conteúdo digital) prioriza os posts mais clicados. Quanto mais clicado for um post, mais ele será visto e mais ele será clicado, criando um ciclo eterno de popularização do conteúdo popular. 

Para quem quer consumir notícias, esse processo é insano! (Sim, eu já disse isso antes). Não podemos ler apenas as matérias mais lidas. 

Por causa dessa discussão, lembrei de um post meio antigo de Seth Godin que se encaixa perfeitamente nessa conversa. É sobre como os conteúdos mais populares não são, necessariamente, os mais significativos. Veja o que ele diz e me diga o que você acha: 

Se tudo que você consome é a lista das mais lida, se tudo que você ouve são os hits, se tudo o que você come é o item mais popular no menu - você está perdendo

A web nos levou a ler o que todo mundo está lendo, o hit do dia. Mas popular não é o mesmo que importante. Popular não é o mesmo que profundo. Popular nem é o mesmo que útil. 

Para tornar algo popular, o criador deixa de fora as partes difíceis e amplifica os riffs que agradam a multidão. Para fazer algo popular, o criador sabe que está mudando as coisas em troca de atenção. 

As músicas que você mais ama, a trilha sonora da sua vida - quase nenhuma delas foi a número 1 nas paradas da Billboard. E o mesmo vale para os livros que mudaram a maneira como você vê o mundo ou as lições que transformaram sua vida. 

Popularidade não significa "melhor". Significa, meramente, popularidade".   
 

Image: Pixabay
 
 

 


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Fundador do Twitter acha que “a internet está quebrada”

“Eu achava que, uma vez que todos pudessem falar livremente e trocar informações e ideias, o mundo seria, automaticamente, um lugar melhor. Mas eu estava errado”.

Esse depoimento decepcionado vem do fundador do Twitter Evan Williams.
 
Em uma matéria maravilhosa do New York Times, Williams fala sobre como anos empreendendo em plataformas de conteúdo na internet o levaram a repensar a forma como usamos essas ferramentas. 
 
Ele compartilha duas preocupações sobre as quais já falamos por aqui:

O fantástico mundo do conteúdo de qualidade (ele existe?)

A balança de Williams está pendendo para as alternativas mais negativas nas perguntas acima. “A internet está quebrada”.
 
Mas, se criar uma rede no qual pessoas de todo o mundo pudessem dialogar entre si de forma rápida e amigável não era o suficiente para melhorar a comunicação da humanidade na internet, qual śeria o próximo passo?
 
A solução (comercial, pelo menos) de Williams, foi se afastar do Twitter e criar uma plataforma de conteúdo na internet que crescesse e lucrasse baseada na qualidade do material postado. 
Qualidade. Não anúncios, clickbaits, fofocas ou sensacionalismo.
 
Para isso, ele fundou o Medium.


Deu certo? A resposta é um “veja bem…”

O Medium é uma plataforma bonita, fácil de usar, e, até agora, tem reunido bons conteúdos e autores interessantes. Agora, dá lucro? Não sabemos, mas, no início do ano, a empresa teve que demitir vários funcionários para enxugar as operações e, segundo divulgou, focar em outra forma de atuação. O Medium acrescentou também opções premium para um público pagante.
 
Para Williams, não tem como gerar, curar, ou gerenciar conteúdo de qualidade se a renda para esses serviços não vier do consumidor.

“O sistema baseado em anúncios recompensa apenas o que atrai a atenção. Anúncios não conseguem recompensar a resposta correta. Mas o sistema pago pelo consumidor sim. Os consumidores recompensam a qualidade. A solução é inevitável: as pessoas terão que pagar por conteúdo de qualidade”.


Conteúdo pago é a resposta? 

Eu, particularmente, acho que sim. E estou na torcida para que Evan Williams (e outros!) tenham sucesso nessa missão de unir lucro com qualidade. 
 
O que vocês acham?

Imagem: New York Times

 


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