jornalismo

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Todo mês, envio para os assinantes uma newsletter caprichada com vários links interessantes. De robôs assassinos a obras de Picasso em 3D, a news já viu de tudo mas, em geral, conversamos sobre comunicação, arte, criatividade e essa loucura que é a internet. Para melhorar ainda mais os conteúdos, resolvi fazer mudanças no formato. Quero apresentar as novidades!

A news passou a ter duas diferenças: mais links e visual novo. A repaginação ainda está em andamento e está sendo feita pela minha amiga e designer Juliana Dias. Já o recheio está todo reformulado com seções, dicas e mais notas. Então, quero mostrar para você as novas “editorias”:

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COMUNICAÇÃO DO BEM - No começo da news, teremos links sobre Comunicação do Bem. Essa é a filosofia que está norteando tudo que produzo e publico aqui no blog.

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IDEIAS PROVOCANTES - Essa parte é dedicada a todas aquelas matérias que despertam um “opa, nunca tinha pensando nisso” no nosso cérebro. É um convite para colocar novas ideias na cabeça e desafiar as antigas.

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VAMOS CONVERSAR MELHOR - De vez em quando, topo com uma matéria tão bem feita que quero mostrá-la para todo mundo. Esse pedaço da news é dedicado ao jornalismo bem feito.

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PARA OUVIR - Já falei que sou a louca dos podcasts? Já, né? Pois bem, dediquei uma parte da news para recomendar pods, entrevistas e reportagens em áudio.

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PARA LER - Nas pesquisas para as pautas, acabo encontrando muita leitura interessante por aí. Nessa seção da news, tudo o que achei interessante recomendar para você ler também.

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PARA VER - Uma seção dedicada a dicas de filmes, documentários e artes visuais. São indicações de criações bonitas ou provocadoras.

O que você acha?

Para mim, a news é uma conversa. Adoro separar os conteúdos, mas gosto mais ainda de receber emails e tuítes com comentários, ideias e sugestões. Por isso, deixo o convite: assine e mande suas indicações. O que você está lendo, vendo e ouvindo?

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Os melhores podcasts do mundo 

Onde você leu “os melhores podcasts do mundo”, leia “os melhores podcasts na minha humilde opinião”. Agora que tiramos a megalomania do caminho, posso dizer que, ano passado me tornei a louca dos podcasts. Assino uns 30 e ouço uns três por dia. Sigo tanto pods mais longos, com entrevistas e análises, e quanto outros mais curtos, com resumo das notícias do dia. Por isso, senti-me apta a sugerir meus favoritos: 

You are not so smart
O programa traz sempre entrevista com um ou mais pesquisadores sobre alguma nova forma de pensar. Em geral, as conversas são sobre sociologia ou psicologia da comunicação e as novidades da ciência nessas áreas. Detalhe “relevante”, a música de abertura é ótima.

Embedded
De toda a minha lista, o Embedded é um dos podcasts mais gostosinhos de acompanhar. A pauta do programa é espinhosa:  os bastidores dos negócios de Donald Trump, sua família e assessores próximos. Mas o formato faz com que a experiência de ouvir as matérias seja bem agradável.  Os repórteres criam uma narrativa bem resolvida. Não parece noticiário, parece que você está escutando alguém contar uma história muito interessante. Dá pra deitar no sofá e curtir.⠀

Podcasts

Pod Save America
Três comunicadores que trabalharam com Barack Obama se juntaram para fazer uma rede de podcasts (Crooked Media) e o principal produto da empresa é o Pod Save America. No programa, os três falam das últimas notícias políticas dos Estados Unidos de uma forma leve e despretensiosa. Até parece que você está numa roda de amigos.

ScienceVS
No ScienceVS, a jornalista Wendy Zuckerman escolhe uma ideia comum e vai atrás de evidências científicas para confirmá-la. Ou não. A última temporada discutiu comida orgânica, controle de armas, hipnose, ponto G, entre outros. O programa mistura ciência com humor tão bem que é impossível não aprender e dar risadas.

Ezra Klein Show
Geralmente, procuramos entrevistas com pessoas que gostamos. Nesse caso, eu gosto é do entrevistador. Ouvindo a esse podcast me peguei, várias vezes, pensando "que ótima pergunta" ou "que forma inteligente de abordar esse assunto". Ezra Klein é o fundador da Vox Media e, no programa, conversa pesquisadores, jornalistas  e estudiosos sobre temas atuais como a vida na Coreia do Norte, os impactos da tecnologia na nossa vida e feminismo.

The Bugle
Eles se denominam "um jornal em áudio para um mundo visual". É isso aí mesmo, sendo que é um jornal falso. O comediante Andy Zaltsman e seus convidados comentam as notícias da semana, inventam outras e destilam trocadilhos ruins. É risada garantida.

Mamilos
O melhor podcast do Brasil
, mas assim, de longe! O programa aborda temas difíceis e amplos sempre com generosidade e inteligência. Elas já falaram de autismo à Venezuela, de Handmaid's Tale ao paradoxo da tolerância.  As conversas são super do bem e procuram entender, explicar e discutir tudo com profundidade, mostrando diferentes lados.

Politiquês
É o podcast do jornal Nexo. Um programinha rápido no qual um conceito ou ideia política é explicada ao som de música brasileira atual e moderninha. As últimas edições falaram sobre o que faz um deputado, o que são medidas provisórias e a viabilidade de Marina Silva como terceira via no Brasil.

 


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Os podcasts mais difíceis de ouvir

[AVISO DE TEMA SENSÍVEL: esse post vai abordar saúde mental de uma forma muito direta. Se esse assunto for perturbador para você, não leia]
 
Demorei semanas para escrever esse post. Achei que seria muito interessante falar sobre dois episódios de podcasts muito bons, mas muito difíceis que ouvi há um tempo. Não percebi que seria complicado traduzir em palavras o que senti. Esse post não será perfeito, mas será o melhor que eu posso fazer sobre esse tema. Vamos lá.
 
A verdade é que eu também demorei dias para conseguir ouvir os episódios inteiros. Eu parava os áudios para respirar fundo. Chorar foi inevitável. Quis escrever sobre eles porque não é todo dia que a gente se depara com uma produção jornalística que cause essas reações.
 

Uma conversa difícil

O podcast With Friends Like These é sobre “conversas difíceis”, esse é o slogan do programa. Na maior parte das vezes, os tópicos são políticos, mas há algumas semanas, eles resolveram falar sobre suicídio. 
 
Claro que o tema por si só já indica uma matéria densa. Mas o diferente nesse caso é que não houve nenhuma entrevista. Ana Marie Cox, a apresentadora do podcast, e um convidado, outro jornalista que mantém um programa sobre depressão, contaram suas próprias experiências. Ele falou sobre o suicídio do irmão e como ele se sente culpado pelo o que aconteceu. Cox falou sobre sobre como ela mesma tentou suicídio. 
 
Pausei muitas vezes para respirar antes de ouvir toda a história. Eu sofri, mas achei muito admirável o esforço e a honestidade dos jornalistas em abrirem suas próprias vidas para abordar um tema tão difícil. É possível sentir como foi duro para eles fazer o
programa. 
 
[Não custa lembrar que, se você tiver passando por um momento difícil e precisar de ajuda, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida]

Quebrando estereótipos

Eu nunca tinha parado uma matéria no meio para chorar. Foi isso que eu fiz durante o episódio do podcast Science VS sobre aborto. 
 
Novamente, não é um tema fácil, mas foi o formato que deu mais impacto à reportagem. O podcast tem como objetivo investigar se o conhecimento popular sobre um assunto realmente faz sentido científico. Neste episódio, o programa investigou, entre outras coisas, se afirmações sobre “o tipo de mulher” que recorre a um aborto são de fato reais. A conclusão é que não. Nenhuma das críticas mais comuns corresponde à realidade. 
 
Para mostrar isso, a reportagem foi a uma clínica de aborto no interior dos Estados Unidos entrevistar médicos e pacientes. O depoimento das mulheres são emocionantes. Mas foram os dados foi o que me fizeram chorar. É difícil não sentir nada quando a gente compara o que realmente acontece na vida dessas pessoas com todo tipo de comentário e estereótipo, sempre muito cruéis, que se faz delas. Essa injustiça me deixou muito triste.
 


 
Mais sobre o With Friends Like These: Trocando Ideia Com Quem Pensa Diferente

Mais sobre o Science VS: Comida Orgânica Não Serve Para Nada

 

 


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Doe seu aniversário para a Revista AzMina!

E se ao invés de ganhar presente você apoiar o jornalismo feminista?

Ei, você! Você aí que curte o trabalho d’AzMina! Você que tem seu trabalho, sua vida, sua família, mas que a cada esquina encontra aquele pensamento: “eu preciso fazer algo contra o machismo”. Você só precisa fazer aniversário. Acreditar em algo custa, e fazer jornalismo com base no que a gente acredita custa também. Jornalismo independente depende de quem acredita esse projeto.

E se ao invés de ganhar mais uma blusinha que vai ficar esquecida no fundo do armário ou um pacote de meias da tia, você convidar seus amigos a converter seus presentes em doações para a Revista AzMina?

O dinheiro que a gente receber pelas suas velinhas vai ajudar a tirar do papel 12 grandes séries investigativas cujos temas vão da exploração sexual nas rodovias mineiras à realidade das mulheres nas Forças Armadas (o projeto completo está aqui). Interessou? Olha só como funciona:

Seu aniversário vai virar um crowdfunding – uma espécie de vaquinha virtual – na plataforma Juntos, nossa parceira nesse projeto, e vai ter uma página só dele! Todo o valor arrecadado vai ser diretamente direcionado para as bolsas de reportagens e, pra te agradecer pelo apoio, temos um presente especial pra você: um kit especial AzMina que inclui um livro “Você já é feminista”, um porta-lata d’AzMina e uma palestra de introdução ao feminismo com nossa equipe – além de espaço vitalício em nossos corações!

Mas a gente vai precisar de um esforcinho seu, porque ao contrário do que muita gente pensa, crowdfunding não é escrever um projeto, botá-lo no ar e esperar sentado. Crowdfunding é vestir a camisa de algo em que você acredita e contar pra todo mundo que você encontrar. Quanto mais você fizer os olhos das pessoas brilharem, maior será a arrecadação. A boa notícia é que é seu aniversário e todo mundo que gosta de você tá a fim de te fazer um agrado. É a fome agarradinha com a vontade de comer!

Animou? Aqui tem um exemplo pra te inspirar. Mas você é livre pra deixar o seu com a sua cara, ok? Olha o passo a passo:

  • No site da Juntos, faça o login ou crie um cadastro;
  • Entre em “enviar projetos”, lá no topo e preencha todos os campos;
  • Você vai precisar criar um título (seja direto!) e um texto curto em que explica porque esse projeto para o qual você está pedindo doações é importante. Você conhece seu público e suas motivações! Manda bala e arrasa!
  • Sugerimos uma meta mínima de R$ 800, mas o céu é o limite! É legal pensar em um número que seja desafiador, mas o tamanho e o poder aquisitivo das suas redes também são importantes aqui. Aniversariantes que baterem a meta vão ganhar o kit com livro, porta-lata e palestra (envio pra qualquer ponto do Brasil, palestra em São Paulo); Duração: 10 dias. Categoria: Direitos Humanos;
  • Clique em “salvar e continuar” e, na página seguinte, em “salvar”;
  • Agora você precisa inserir a URL do seu vídeo. Sim, vídeo! Pode ser gravado no celular mesmo. É que dá muito mais vontade de doar quando a gente vê a carinha do nosso amigo ou amiga, né? Por isso que o vídeo é tão importante!
  • Você também vai precisar inserir algumas imagens. No campo “parceiros do projeto”, não se esqueça de incluir o nosso logo, que você pode baixar aqui.
  • Terminou? Clique lá no topo em “enviar projeto para análise”. Na sequência copie e cole o link do seu projeto e mande para a Juntos no email mariacarolina@juntos.com.vc, pra que eles possam fazer a vinculação do seu crowdfunding com a arrecadação d’AzMina. Importante: o título do seu email deve ser “aniversário com AzMina”, e junto com o link você deve mandar a data de lançamento do seu crowdfunding (10 dias antes do seu aniversário ou da data em que pretende comemorar).

Pronto! Agora é só esperar o lançamento do seu crowdfunding pra espalhar para os amigos! Aproveite que você está com a faca e o queijo na mão e estimule a turma a tirar o escorpião do bolso!

A generosidade dos nossos doadores possibilita que a gente continue produzindo conteúdo aberto e gratuito para que pessoas que não podem pagar por informação também tenham acesso a um jornalismo de qualidade. AzMina agradece de coração e te deseja um feliz aniversário!

 

Esse texto é de autoria da Revista AzMina (www.azmina.com.br). A publicação permite a reprodução de seus conteúdos.

 


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A forma como lemos notícias não é saudável

Quando Trump ganhou as eleições, eu fiquei chocada. Claro que todo mundo também ficou chateado com a vitória dele. Mas eu fiquei cho-ca-da. Eu tinha certeza que ele ia perder. Quando vazou a conversa dele no ônibus falando sobre assédio contra mulheres eu fiquei certa de era o fim da trajetória dele. Comecei a dizer coisas como "ele vai perder feio e os negócios deles irão à falência". Nem preciso dizer que eu estava muito errada.
 
No livro, A Dieta da Informação, Clay Johnson defende uma ideia que explica “tragédias” como esta e outras mais. Para ele, o problema está na forma como consumimos informação. Temos muitos dados disponíveis, tudo está a uns poucos cliques. Mas não sabemos o que fazer com essa comodidade. A comparação de Johnson é com a alimentação.

Comemos demais, mas ingerimos produtos de baixa qualidade e não sabemos gerenciar nossa nutrição. Para Johnson, fazemos o mesmo com as notícias. Estamos nos entupindo de “reportagens” de má qualidade e de “fabricação” duvidosa.

Johnson resume assim os principais problemas na forma com que nos informamos:

  • Informações demais

  • Informações de má qualidade

  • Opiniões “disfarçadas” de fatos

  • Informações sobre apenas “um lado” 
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A bolha em que vivemos e o viés de confirmação

Eu não errei sobre Trump sozinha. Todos ao meu redor pensávamos o mesmo e nós alimentamos um ao outro com essa ideia. Isso fez com que nosso sentimento parecesse ser a verdade mais óbvia.
 
Acontece bastante, não é? Temos certeza sobre algo porque todo mundo está falando sobre isso. A época de eleições é sempre um bom exemplo.
 
Esse fenômeno se chama “bolha de filtro”. É uma área de influência no qual as pessoas consomem os mesmos tipos de informação, tem hábitos parecidos, etc, e têm pouco contato com outros grupos que agem diferente. Isso você já sabia, não é?
 
Até certo ponto, isso é normal. Não dá para abarcar todo o mundo e ler sobre absolutamente tudo que acontece na Terra. O problema é quando, especialmente na esfera política, o leitor começa a não mais se informar sobre algo, mas apenas a confirmar a mesma ideia de novo e de novo. Nós, naturalmente, preferimos afirmação ao invés de informação. E nem percebemos! Isso é inerente ao ser humano, mas pode ser bem perigoso.
 
É quando você já “sabe” que tal político, por exemplo, “não faz nada de bom” e só procura notícias que digam exatamente isso. Ou quando tem certeza de que tal partido é sempre certo, então só lê sobre como a legenda só faz coisas boas. Isso se chama viés de confirmação. É quando você lê tudo com a plaquinha do “Eu já sabia” levantada. Sem contar o quão irritados ficamos quando alguém mostra uma fonte contradizendo tal afirmação. É óbvio que só pode ser mentira...
 
Para Johnson, o perigo das piores dietas da alimentação acontece quando a bolha é pequena e o viés de confirmação é muito forte. E, mais ainda, quando o leitor não percebe o que está acontecendo. E, acredite, às vezes é bem difícil perceber isso - até quando você já sabe que isso acontece...
 
No caso da eleição de Trump, olha só a minha situação: todos que eu conhecia de verdade ou seguia na Internet estavam revoltados com a postura dele. Chimamanda Ngozi Adichie, uma das minhas escritoras favoritas, afirmou em um artigo como fato: "Hillary Clinton vai ser a próxima presidente dos Estados Unidos". Lin-Manuel Miranda, minha pessoa favorita, foi ao programa de TV Saturday Night Live cantar uma das frases icônicas do seu musical super icônico Hamilton e dedicá-la a Trump: "Never gonna be president now".
 
Então, como foi que ele ganhou se "todo mundo" estava contra ele? Ele ganhou porque mais ou menos 60 milhões de eleitores estavam a favor dele. Eu é que não sabia.
 
Vamos deixar de lado as questões políticas e econômicas que levaram a esse resultado e focar na questão da informação.
 
Clay Johnson fala bastante sobre como podemos consumir apenas um "lado" das notícias se não estivermos atentos. Ele até cita vários veículos que conservadores americanos certamente leem mas que liberais nunca checam e vice-versa.
 
Mas o mundo não é dividido ao meio e fatos são fatos independentemente dos nossos sentimentos. Não há duas versões deles. O problema aqui não é você ter um lado político ou ideológico - longe disso. É você perder de vista o que acontece na outra ponta. É passar a achar que é “um contra o outro”, que seu “time” está sempre certo quando o outro está sempre errado. É esquecer que o fato de acreditarmos em algo, termos determinada posição em algum tema, não torna "o outro lado" 100% errado - nem o seu 100% certo. E se dar conta disso é um exercício constante.
 
Existe um podcast maravilhoso chamado Mamilos que é ótimo para esse exercício. Nele, Cris Bartis e Juliana Wallauer trazem dois lados da moeda quando vão discutir sobre algum tema - e incentivam sempre a empatia e questionamento consciente. Vale conferir :)
 
O importante não é ser uma pessoa neutra em tudo, isso é impossível. Mas é não criar uma cegueira que o impeça de saber o que se passa em outras esferas que não só a sua.

Por que nos informamos mal?

O leitor pode passar horas por dia “se alimentando” de notícias e, ainda assim, ficar desnutrido.
Para Johnson existem algumas formas de se informar mal:
 
1 – Não saber a diferença entre informação e opinião: 
 
Ele cita vários programas de “notícia” americanos que são, na verdade, comentários tendenciosos (para um lado ou para o outro) disfarçados de informação. Acontece de várias notícias “convidarem” o leitor a pensar desta ou daquela forma. Isso é opinião. Será que conseguimos identificar os veículos brasileiros que fazem isso? Melhor, será que você consegue identificar, dentre os veículos que você consome, os que fazem isso?

2 – Consumir notícias feitas em “fábricas de posts”: 

Uma das partes do livro que mais me chocaram foi a sobre as “fábricas de posts”. São veículos da internet que pagam pouquíssimo para “jornalistas” escreverem o máximo possível por dia. Dez artigos diários até. Aí não importa qualidade, apuração, o que importa é a quantidade. E é claro que a veracidade vai pelas cucuias e os “click baits” se multiplicam. Para Johnson, consumir essas “notícias” é o mesmo que comer comida enlatada. É um negócio que enche, ocupa, mas não nutre em nada. Só nos dar a ilusão de estarmos bem informados.

3 – Ler informações muito distantes da fonte: 

É o famoso telefone sem fio. Você acaba vendo aquela informação super importante em um post do Facebook de um amigo que está repostando um blog que, por sua vez, está citando um site, que apurou em um estudo, que foi publicado em uma revista e assim por diante. Pode estar tudo certinho e o post do seu amigo pode ser bem útil, mas vamos admitir que as chances dessa corrente dar errado são muitas. Para Johnson, quanto mais perto da fonte melhor. Se a matéria cita um estudo da ONU, porque não checar esse documento diretamente? Se a reportagem indica uma estatística porque não verificar na própria instituição responsável?
 
Eu, particularmente, acrescentaria que Facebook não é lugar de ler notícias, ponto final. Isso sem nem comentar o quão forte é a sua bolha dentro da rede… (assunto que merece um texto só para ele).

Porque essa dieta não é saudável

Além de causar grandes decepções, como a minha com as eleições americanas, uma dieta pouco diversa, causa má informação. “Quanto menos uma decisão ou opinião é baseada em fatos, menos os fatos vão mudar essa decisão ou opinião”. (obs: nessa hora me deu vontade de jogar o livro na parede e sair correndo gritando que não há salvação).
 
Clay também fala que "Quanto mais informada uma pessoa, mais firmes se tornam suas crenças. Se elas estão ou não corretas, é uma questão totalmente diferente". Mas espera aí, isso não contradiz um pouco a informação anterior? Lembra do que falamos ali em cima sobre como nós buscamos mais afirmação do que informação? Uma quantidade grande de dados não significa, necessariamente, um vasto número de informações.
 
O que isso quer dizer? Quer dizer que o leitor se torna bitolado, cego. De tanto ouvir as mesmas coisas, aquilo se torna verdade. E aí, não importa se aquilo é fato ou opinião de alguém que você segue nas redes sociais. É verdade e pronto. E nem adianta querer discordar...
Sabemos escapar destas armadilhas?

No dia a dia, sabemos identificar os problemas que Johnson enumerou? Sabemos o que consumir e o que evitar nesse novo mundo de abundância de informações?
 
Compartilhamos uma pesquisa nas redes sociais perguntando como as pessoas consomem notícias. Fizemos 5 perguntinhas para tentar entender um pouco melhor como as pessoas lidam com o consumo de informação:

  • Onde você lê notícias? (Facebook, Twitter, Portais de notícias, blogs, etc?)
  • Você sempre lê notícias nos mesmos veículos ou costuma variar?
  • Você acha que a maioria das pessoas lê os mesmos veículos que você?
  • Você lê notícias de fontes pouco populares?
  • O que você faz para checar a veracidade das informações que você lê?

No geral, descobrimos que as pessoas consomem notícias em portais de notícia, blogs especializados e em redes sociais (Facebook sendo das mais citadas), e que costumam variar as fontes. Sobre consumirem notícias dos mesmos veículos, o resultado ficou meio dividido - embora o sim tenha tido uma margem um pouco maior.  As fontes populares não fizeram tanto sucesso e, buscar fontes confiáveis, foi o jeito mais citado de checar a veracidade das informações. 
 
Estes dados nos trazem perguntas importantes: o que é uma fonte pouco popular? O que é uma fonte confiável? 
 
Mas sabe qual o detalhe que não podemos deixar de notar com essa pesquisa? Ela representa o comportamento do consumo de informações… dentro da nossa bolha! Quase todas as pessoas que responderam a essa pesquisa receberam as perguntas através do Facebook (que tem a bolha particular dele). O quanto isso influencia?

E como seria uma boa Dieta da Informação?

Assim como uma alimentação variada é mais saudável, uma dieta de informações mais ampla faz bem para a nossa percepção de mundo.

  • Prefira informação ao invés de afirmação (é difícil, vai mexer com você, mas faça)
  • Preste atenção aos filtros e a sua bolha.
  • Seja consciente sobre o seu viés de confirmação.
  • Consuma notícia mais perto da fonte.
  • Consuma menos informação processada.
  • Fuja de informações de “fábrica de notícias” 

E aí, vamos nos informar de maneira mais saudável?


Referências legais:
 
O escritor e youtuber John Green explica como adotou uma dieta de informação mais saudável diminuindo a quantidade e melhorando a qualidade das notícias que ele consome.
 
Yuval Harari, historiador e autor do best-seller Sapiens, fala sobre como ainda não sabemos como lidar com o excesso de informação.
 
A escritora Chimamanda Ngozi Adichie mostra, em palestra do TED, os perigos de ouvir apenas um lado.
 
Jeff Jarvis, jornalista e professor, resume a história toda em um artigo bem entitulado “Qualidade ao invés de porcaria”.  

 Cris Bartis e Juliana Wallauer comandam os debates no podcast Mamilos.
 
Editor da revista Superinteressante fala sobre essa questão de ir direto à fonte ao invés de ler interpretações sobre o assunto. 


Esse artigo foi produzido em dupla. Depois de lermos o mesmo livro e termos os mesmos insights e preocupações, eu e Andreza percebemos que tínhamos que escrever sobre o assunto.

Sobre as autoras:

 

Andreza Mendes

Suzana Valença

Sou designer especializada em mídias digitais. Trabalho ajudando empresas e pessoas a se comunicarem melhor utilizando a internet. Também sou professora de Marketing Digital. No tempo livre, gosto de ler (conhece o @3girlsabunchofbooks?), assistir filmes, séries e documentários e viajar (não necessariamente nesta ordem). Sou jornalista especializada em mídias digitais. Trabalho criando conteúdo para a internet e ajudando meus clientes a se comunicarem com seus públicos. Quando não estou nerdando profissionalmente, estou lendo, ouvindo música ou vendo série do Netflix. Ou seja, nerdando por lazer.
 

 


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Como a mídia sensacionalista noticiaria acontecimentos de clássicos literários

O filósofo Alain de Botton visitou a redação do tabloide inglês Sunday Sport com um desafio. Ele queria saber como as grandes tragédias da literatura ocidental seriam noticiadas em um jornal sensacionalista. A dinâmica foi a seguinte, Botton discutia com os repórteres a trama das obras e os caras bolavam as manchetes.

O resultado:

Othelo
Imigrante louco apaixonado mata filha de senador


Madame Bovary
Adúltera viciada em compras engole arsênico depois de falência bancária


Édipo Rei
Sexo com mãe causa cegueira 

A experiência com o jornal foi divulgada em uma palestra de Botton no TED na qual ele fala sobre como repensar os conceitos de sucesso e fracasso.

Ele utiliza o experimento para argumentar como a mídia costuma resumir as narrativas das vidas das pessoas, dividindo elas em “perdedores” e “ganhadores”. Isso, especialmente no caso dos veículos mais apelativos, significa idealização daqueles colocados na primeira categoria, e zombaria dos que caíram na segunda. 

Claro que a “moral da história” é que nada é tão simples assim. E o meu aprendizado particular foi que ninguém nunca em qualquer circunstância deveria ler o Sunday Sport, que eu descobri ser um “jornal” horroroso.

Aqui está a palestra inteira de Botton:

Alain de Botton é autor de vários livros e foca no uso da filosofia em nosso cotidiano, como o pensamento filosófico pode ser útil para os dias de hoje. Ele é fundador da School of Life, instituição que produz conteúdo educativo, entre livros, vídeos e aulas sobre esse tema.

Imagem de cabeçalho: Rádio ABC
 

 


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